Morte de Menem, aos 90 anos, enterra passado controverso da Argentina

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Publicado domingo, 14 de fevereiro de 2021 as 15:38, por: CdB

Senador no cumprimento do mandato pela província de La Rioja, Carlos Saul Menem presidiu a Argentina por pouco mais de dez anos, durante um dos períodos mais radicais da ultradireita, na economia, em meio a escândalos de corrupção.

Por Redação, com agências internacionais – de Buenos Aires

Ex-presidente da Argentina, o senador Carlos Menem morreu neste domingo, aos 90 anos, durante uma longa internaça2o no Sanatório Los Arcos, em Buenos Aires. Ele havia sido admitido na unidade por conta de uma infecção urinária. No ano passado, Menem chegou a passar 15 dias no Instituto de Diagnóstico e Tratamento, também na capital argentina, em razão de uma pneumonia.

Menem cumpria o mandato de senador quando foi internado com problemas no trato urinário

Senador no cumprimento do mandato pela província de La Rioja, Carlos Saul Menem presidiu a Argentina por pouco mais de dez anos, durante um dos períodos mais radicais da ultradireita, na economia, em meio a escândalos de corrupção.

Costeletas

Menem foi um presidente controverso, que governou a Argentina por uma década, entre 1989 e 1999. Uma de suas características mais marcantes eram as costeletas compridas, até nas bochechas, metade brancas, metade pretas, encaracoladas e espessas. Elas marcaram um país.

Menem as usava para imitar seu caudilho favorito, o herói Facundo Quiroga, e elas eram aparadas diariamente por um cabeleireiro que tinha lugar fixo no avião presidencial. O cuidado exagerado com as costeletas marcaram o caráter extraordinário da personagem que se materializou durante a década de 1990.

Nascido no extremo noroeste do país, em La Rioja, Menem se tornou, em 1995, o primeiro presidente a ser reeleito em 50 anos. Seu primeiro governo foi marcado por um boom econômico; no segundo, por uma crise sem precedentes.

O Turco

Advogado, governador e senador, o ex-presidente argentino foi duas vezes preso durante os regimes militares das décadas de 70 e 80 e duas vezes condenado por corrupção e tráfico de armas.

Em 2015, Menem voltou a ser condenado em outro caso, de suborno a autoridades com dinheiro público. Em 2019, também foi condenado por superfaturamento de obras e por fraude na venda de um imóvel na década de 1990. O político argentino evitou a prisão por causa da imunidade parlamentar e, nos últimos anos, foi absolvido.

Menem se candidatou à presidência pela última vez em 2003, quando venceu o primeiro turno e desistiu da disputa no segundo, dando a vitória a Néstor Kirchner. O ex-presidente tinha o apelido de Turco em referência às suas raízes sírio-libanesas, que definiam sua família, sua personalidade e até sua vida privada, tantas vezes o protagonista de histórias mirabolantes.