Mourão admite derrota do governo contra devastação na Amazônia

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Publicado sexta-feira, 6 de novembro de 2020 as 19:06, por: CdB

Numa tentativa de livrar o governo do qual faz parte, o militar reformado negou que as políticas ambientais do mandatário neofascista Jair Bolsonaro (sem partido) tenham contribuído para tamanha devastação.

Por Redação, com agências internacionais – de Manaus

Vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão (PRTB) deu a mão à palmatória, nesta sexta-feira, ao reconhecer que o desmatamento e as queimadas na Amazônia bateram todos os recordes das últimas décadas. Mourão está em uma viagem por Estados amazônicos considerada, na imprensa internacional, “para inglês ver” por mostrar apenas aspectos positivos da região.

O vice-presidente eleito, general Mourão, ganha mais uma queda de braço na disputa interna que se desenvolve na formação do governo Bolsonaro
O vice-presidente, general Mourão, participa de uma excursão com representantes internacionais por Estados da Amazônia

Numa tentativa de livrar o governo do qual faz parte, o militar reformado negou que as políticas ambientais do mandatário neofascista Jair Bolsonaro (sem partido) tenham contribuído para tamanha devastação. 

— Chega um momento em que o caldo entorna. E o caldo entornou no nosso momento — reconheceu Mourão, em conversa com jornalistas.

Turismo

Segundo acrescentou, “os problemas não aconteceram desde 1º de janeiro”. Dados do  Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no entanto, comprovam que entre janeiro e novembro deste ano foram registrados 94.437 focos de queimadas na região, alta de 5% sobre o mesmo período do ano passado.

Mourão completa o segundo dia de visita ao Amazonas com a comitiva de embaixadores e ministros, liderada pelo vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, visitou o ponto turístico do encontro dos rios Negro e Solimões, além da superintendência regional da Polícia Federal em Manaus e áreas rurais com iniciativas de agricultura sustentável na região metropolitana.

Segundo Mourão, as reuniões e visitas realizadas se preocuparam em expor a complexidade dos desafios da Amazônia ocidental e estratégias do governo para preservar e desenvolver a região.

Desmatamento

A tentativa do governo, com a comitiva, é responder críticas que país sofre na área ambiental.

Nesta quarta-feira, foi promovido um sobrevoou sobre áreas da Amazônia, mas o roteiro deixou de fora o Sul do Estado, área mais afetada pelas queimadas e o desmatamento. Neste ano, o Amazonas já registra o maior número de queimadas da história.

— Vimos como o conhecimento científico e o emprego das tecnologias de ponta estão permitindo monitoramento cada vez mais eficaz das atividades ilícitas e combate aos crimes ambientais, fundiários, mineração e tráfico de drogas — tentou explicar.

A viagem foi organizada após o envio de uma carta a Mourão, assinada por oito países europeus, na qual apontam alta do desmatamento poderia dificultar a importação de produtos brasileiros. O vice-presidente coordena o Conselho da Amazônia.

Incêndios

Nesta manhã, a comitiva visitou uma fazenda no município de Iranduba, distante 29 km da capital, para conhecer iniciativas sustentáveis para exploração das riquezas naturais do Amazonas. Na ocasião, segundo Mourão, os chefes de missão diplomática conheceram empreendedores que investem na sustentabilidade, entre outras iniciativas.

Em pronunciamento para imprensa, no final da tarde, Mourão citou as altas taxas de internação por Covid-19 no Amazonas, para justificar medidas adicionais de precaução e restrição de contato mais próximo com comunidades locais.

Aos jornalistas que acompanham o grupo, o vice-presidente falou sobre os atuais planos de ação para combater o desmatamento ilegal na Amazônia, diretamente ligado ao número de queimadas ilegais na região. A mesa estava composta ainda pelo governador do Amazonas, Wilson Lima.

Comércio ilegal

Lima afirmou que o Estado tem trabalhado ao lado de setores do governo federal, a exemplo do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), da Polícia Federal (PF) e Exército Brasileiro (EB). O maior obstáculo enfrentado, até agora, tem sido a falta de regularização fundiária.

— Esse é um problema histórico. Quando não tenho titularização de uma terra, fica difícil punir o responsável por aquele desmatamento — afirmou o governador.

Mourão, por sua vez, disse que o objetivo do governo é “estrangular” o comércio ilegal de madeira — apontado como principal causa de desmatamento nas áreas federais localizadas no Amazonas — e obstruir os canais de escoamento do madeirame ilegal e impedir a venda do produto extraído na floresta.