Mourão diz que Bolsonaro pretende cumprimentar Biden pela vitória, mas ‘na hora certa’

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Publicado segunda-feira, 9 de novembro de 2020 as 13:52, por: CdB

Até este momento mais de 100 chefes de Estado e de governo já cumprimentaram Biden pela eleição. Na lista estão a maioria dos presidentes sul-americanos — até Nicolás Maduro, desafeto dos EUA na região.

Por Redação – de Brasília

Vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, nesta segunda-feira, que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cumprimentará o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, “na hora certa”. Segundo o militar, o mandatário neofascista deve esperar o final de processo de judicialização do resultado que o atual presidente, Donald Trump, promete promover.

Mourão
Vice-presidente da República, o general Mourão tem tentado traduzir o pensamento do mandatário neofascista Jair Bolsonaro (sem partido)

— Eu julgo que o presidente está aguardando terminar esse imbróglio aí de discussão se tem voto falso, se não tem voto falso, para dar o posicionamento dele. Eu acho que… É óbvio que o presidente na hora certa vai transmitir os cumprimentos do Brasil a quem for eleito — disse Mourão ao ser questionado sobre a demora de Bolsonaro em se pronunciar sobre a eleição presidencial norte-americana.

Até este momento mais de 100 chefes de Estado e de governo já cumprimentaram Biden pela eleição. Na lista estão a maioria dos presidentes da América do Sul — até Nicolás Maduro, principal desafeto dos EUA na região — e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um dos principais aliados de Trump.

Processo eleitoral

No Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), publicou mensagem no Twitter no sábado na qual parabenizou Biden pela vitória.

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e do México, Andrés Manuel López Obrador, e o líder da China, Xi Jinping, três países com relações intensas com os EUA, também não cumprimentaram o presidente eleito norte-americano. Nos três casos, no entanto, os governos reconheceram o processo eleitoral e informaram que aguardarão o final de todos os procedimentos.

No Brasil, no entanto, nenhum sinal foi dado nem pelo Itamaraty e nem pelo Palácio do Planalto. Desde que Biden foi anunciado como eleito, no final da manhã de sábado, Bolsonaro fez uma live e conversou com apoiadores, mas não mencionou a eleição norte-americana.

Relacionamento

As informações que vêm do Palácio do Planalto apontam que o presidente pretende esperar um anúncio oficial ou um discurso de Trump admitindo a derrota. O presidente norte-americano não deu sinais de que pretende fazê-lo tão cedo. E não existe nos EUA um órgão central de apuração que consolide votos. O anúncio oficial é feito depois da apuração dos votos do Colégio Eleitoral, o que acontece apenas no início de janeiro.

Mourão foi questionado sobre se essa demora não coloca o Brasil em uma posição difícil frente a uma nova administração dos EUA com quem o presidente já começa com problemas. Desde o início do processo Bolsonaro deixou clara sua torcida por Trump, em um movimento pouco usual nas relações internacionais. O vice-presidente descartou riscos.

— Não julgo que corra risco. Acho que vamos aguardar, né? É uma questão prudente. Acho que essa semana define as questões que estão pendentes e aí a coisa volta ao normal e a gente se prepara para o novo relacionamento que tem que ser estabelecido — disse.

Renda mínima

Ainda nesta manhã, Mourão afirmou ser possível que o Congresso não votará o Orçamento de 2021 ainda este ano e isso poderá afetar o rating do Brasil nas agências de classificação de risco.

Em uma live organizada pelo banco Itaú, Mourão disse ainda que não existe planos por parte do governo de prorrogar a situação de emergência no país, que permitiria a continuidade de programas como o auxílio emergencial, porque isso obrigaria a um aumento da dívida do país e a deteriorização da situação fiscal.

Na mesma linha, Mourão afirmou não ver outra solução para a criação de um programa de renda mínima que não seja aumentar programas existentes, como o Bolsa Família, e retirar recursos de outros programas, e que não existe solução simples para um novo programa de renda mínima, como o governo tinha planejado inicialmente.

Vacina

Sobre a pandemia do novo coronavírus, Mourão disse, ainda, que as Forças Armadas poderão ajudar na logística para uma vacinação contra a Covid-19 no território brasileiro e até mesmo no processo de aplicação de um imunizante contra a doença.

No evento online, Mourão lembrou que o Brasil nunca saiu da primeira onda de contaminação pelo coronavírus. Ele avaliou ser difícil fazer o prognóstico de uma data em que uma vacina contra a Covid-19 estará disponível no Brasil.