Mourão demite assessor, em meio a dúvidas quanto à lealdade ao presidente Bolsonaro

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Publicado sexta-feira, 29 de janeiro de 2021 as 16:57, por: CdB

Nas mensagens reveladas, o agora ex-chefe de assessoria parlamentar de Mourão convida o chefe de gabinete de um deputado não identificado para um café e menciona conversas com “os assessores de deputados mais próximos”.

Por Redação – de Brasília

Vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão (PRTB) confirmou, nesta sexta-feira, que demitiu seu assessor parlamentar Ricardo Roesch Morato Filho, na véspera, depois de ele criar “ruído desnecessário” ao sugerir haver articulações no Congresso para o impeachment do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O vice exonerou o auxiliar após um site de extrema-direita divulgar mensagens trocadas entre Morato Filho e o chefe de gabinete de um deputado da base aliada do governo, não identificado por nenhuma das partes.

Mourão diz ser contra a abertura de um processo de impeachment contra o presidente Bolsonaro

— Uma troca de mensagens imprudente; gera um ruído totalmente desnecessário no momento que a gente está vivendo. A partir daí a pessoa que tinha um cargo de confiança perde a confiança para exercer esse cargo — afirmou Mourão em conversa com jornalistas na chegada ao Palácio do Planalto.

Complô

Mourão afirmou, ainda, ser contra um processo de impeachment e preza pelo “princípio da lealdade”, colocado em xeque na articulação de um dos mais prestigiados assessores de seu gabinete.

— Foi uma situação lamentável. Em primeiro lugar, porque não concordo com o processo de impeachment, não apoio isso aí, como já falei várias vezes. Segundo lugar, não é a forma como eu trabalho — acrescentou o vice.

Nas mensagens reveladas, o agora ex-chefe de assessoria parlamentar de Mourão convida o chefe de gabinete de um deputado não identificado para um café e menciona conversas com “os assessores de deputados mais próximos”. “É bom sempre estarmos preparados”, escreveu Morato Filho, segundo o site, deixando a brecha para a existência de um complô, em andamento.

Ambiente tenso

A última semana do mês de janeiro foi marcada por uma troca de indiretas e críticas públicas entre o presidente e seu vice. Apesar do segundo na linha de sucessão afirmar ser “leal” ao mandatário, o clima entre os dois foi para o vinagre.

Na véspera, Bolsonaro desautorizou, publicamente, Mourão de falar sobre uma possível reforma ministerial. As mudanças no primeiro escalão estão sendo discutidas por conta do interesse do Planalto de interferir nas eleições dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado. Cargos estariam sendo oferecidos para os partidos do chamado “Centrão” em troca de apoio para os candidatos apoiados pela Presidência.

— Se alguém quiser escolher ministro, que se candidate em 22 e boa sorte em 23 — disse o presidente ao ser questionado por apoiadores sobre a mudança no Ministério das Relações Exteriores.

‘Palpiteiro’

Mourão, um dia antes, tinha concedido entrevista a jornalistas e afirmou que há debates para uma reformulação do governo e disse que Ernesto Araújo pode ser substituído. Pouco antes, Bolsonaro foi mais direto e disse que “o vice falou que eu estou para trocar o chefe do Itamaraty” e que “o que nós menos precisamos é de palpiteiro no tocante a formação do meu ministério”. Mourão não quis comentar a frase do presidente.

Há ainda mais de 60 pedidos de impeachment, tanto de partidos políticos como de entidades civis, contra Bolsonaro acusando o presidente dos mais diversos crimes. Porém, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, se negou a dar andamento a abertura das ações.

Analistas políticos da mídia conservadora identificam a existência de um ar de conspiração na relação entre presidente e vice por conta de uma eventual construção de um processo, no Congresso.