Mourão diz que diretoria tende a ser afastada, mas Vale nega demissões

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Publicado segunda-feira, 28 de janeiro de 2019 as 15:04, por: CdB

O rompimento da barragem em Brumadinho já deixa 60 mortos e ainda há ainda quase 300 desaparecidos. Nenhum diretor da Vale foi preso, até agora.

 

Por Redação – de Brasília e Rio de janeiro

 

Presidente em exercício, o general Hamilton Mourão afirmou, nesta segunda-feira, que o afastamento da diretoria da Vale está em estudo pelo grupo de crise do governo formado após o rompimento de barragem em Brumadinho (MG) na sexta-feira.

Schvartsman poderá ser afastado do cargo, na Vale, a qualquer momento
Schvartsman poderá ser afastado do cargo, na Vale, a qualquer momento

— Essa questão da diretoria da Vale está sendo estudada pelo grupo de crise. Vamos aguardar quais são as linhas de ação que eles estão levantando — disse Mourão a jornalistas.

Responsabilidades

O rompimento da barragem em Brumadinho já deixa 60 mortos e ainda há ainda quase 300 desaparecidos. Mourão e o grupo que avalia o incidente têm esses números em mente.

— Tem de estudar isso, não tenho certeza se pode fazer essa recomendação — acrescentou.

Advogado da empresa, Sergio Bermudes disse a jornalistas que a companhia “não enxerga razões determinantes de sua responsabilidade” e que, portanto, a diretoria presidida or Fabio Schvartsman não será afastará “em hipótese alguma”.

Mourão, no entanto, adicionou que, uma vez comprovado que a tragédia foi causada por imprudência ou negligência de funcionários da empresa, eles devem responder criminalmente pelo ocorrido.

— Tem de apurar e punir quem tiver de ser punido. Mas tem de apurar mesmo”, disse. “Se houve imprudência ou negligência, por parte de alguém dentro da empresa, essa pessoa tem de responder criminalmente. Afinal de contas, vidas foram perdidas nisso aí — ressaltou.

Moro

O presidente em exercício pontuou, ainda, que o meio ambiente “sempre será uma bandeira” do novo governo. Não é esse, porém, o discurso adotado pelo presidente Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Em outubro, o então candidato disse que pretendia acabar com o “ativismo ambiental xiita”.

Em linha com a exposição do presidente, o senador reeleito e possível candidato à Presidência do Congresso, Renan Calheiros (MDB-AL) cobrou providência do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Ele aponta os danos causados ao povo e ao meio ambiente devido ao rompimento de uma barragem da mineradora Vale na sexta-feira, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

“Ministro Moro @JusticaGovBR, quantas pessoas precisarão morrer para que a Polícia Federal faça alteração na diretoria da Vale? Antes que preciosos indícios desapareçam. E quantos deputados deixarão o país sem que sejam protegidos? Precisamos da sua veemência de sempre”, disse o parlamentar no Twitter.

‘Tranca’

No mesmo sentido, segue o promotor de Justiça Guilherme de Sá Meneghin, que acompanha há mais de três anos o caso do rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG). Meneghin afirmou que os responsáveis por episódios como o que voltou a acontecer em Brumadinho devem ser punidos com “tranca”, pois tragédias como essa são crimes e não acidentes.

— Esses fatos não são acidentes, são crimes. São homicídios, lesões corporais, crime ambiental. E a pena é de prisão, é ‘tranca’ como se diz no jargão popular — disse o promotor, a jornalistas.

O promotor acrescenta que ambas as tragédias têm características parecidas. Apontou que desde o acidente de Mariana, em 2015, do ponto de vista preventivo nada avançou. Ele defende que barragens como a que se rompeu em Mariana e Brumadinho deveriam ter sido proibido.

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