Mourão se torna o fantasma da vez a assombrar a família Bolsonaro

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Publicado quinta-feira, 31 de janeiro de 2019 as 15:23, por: CdB

Enquanto o titular, praticamente, não fala com a imprensa internacional, Hamilton Mourão tem sido procurado pelos maiores jornais do mundo.

 

Por Redação – de Brasília

 

Mal concluiu suas 48 horas no exercício da Presidência da República, nesta quinta-feira, e o clã Bolsonaro já se agita, nas redes sociais, em ataques ao general Hamilton Mourão. Acusado nos bastidores palacianos de “falar demais”, Mourão, no entanto, não se abala e adianta, a jornalistas, que não ter qualquer preocupação com críticas dos filhos de Jair Bolsonaro.

O general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, fala pelas Forças Armadas brasileiras
O general Hamilton Mourão, vice-presidente da República, fala pelas Forças Armadas brasileiras

Enquanto o titular, praticamente, não fala com a imprensa internacional — em Davos, abriu parcas exceções — Hamilton Mourão tem sido procurado pelos maiores jornais do mundo, em busca de uma tradução para o confuso regime que se inicia. O vice-presidente já assegurou entrevistas para a revista britânica The Economist, a bíblia do capitalismo conservador; aos diários norte-americano The Wall Street Journal e espanhol El País, ambos respeitados nos ambientes de negócios e da extrema direita.

Temido pelas facções que se formam no intestino do governo Bolsonaro, Mourão torna-se o fantasma da vez a assombrar o clã. Não bastasse a investigação sobre movimentações atípicas nas contas de assessores do primogênito, senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), o vice-presidente forçou o comandante em chefe a reassumir o cargo, ainda na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), sem receber quem quer que seja.

Por puro apego ao cargo, Jair Bolsonaro reassumiu a Presidência dois dias após a cirurgia a que se submeteu na segunda-feira. “Tem medo de que seu vice, Hamilton Mourão, se saia melhor que ele à frente do governo; na prática, porém, o Brasil está sem comando”, aponta a liderança do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Entorno familiar

O encontro previsto para esta tarde, entre Bolsonaro e três ministros foi desmarcado. Internado no Hospital Albert Einstein, na capital paulista, o presidente recebeu ordens médicas para evitar falar devido à possibilidade de que gases entrem em sua cavidade abdominal, o que poderia provocar dores e dificuldade na cicatrização.

Nos corredores de Brasília, comenta-se que a decisão de Bolsonaro em reassumir a Presidência mesmo estando hospitalizado é mais do que apenas uma jogada de marketing barato, é medo do protagonismo do vice. O protagonismo midiático do general Mourão durante seus dois períodos como presidente interino incomodaram o entorno familiar e político de Jair Bolsonaro.

Um dos filhos do presidente disse a duas pessoas que o general busca se mostrar como uma figura mais preparada em caso de alguma crise desestabilizar o governo — avaliação, de resto, constante nos círculos políticos de Brasília.

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