Mourão rebate ameaças de quartelada: ‘Quem é que vai dar golpe?’

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Publicado quinta-feira, 28 de maio de 2020 as 18:24, por: CdB

Sobre as ameaça a outros poderes, se isso não significaria uma ameaça à democracia, com risco de golpe, ele Mourão insistiu que não há ambiente para uma ruptura no regime republicano.

Por Redação – de Brasília

Em franca oposição às ameaças do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), contra as instituições democráticas brasileiras, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), disse a jornalistas que uma ruptura democrática está “fora de cogitação” e que “não existe espaço no mundo para ações dessa natureza”.

O vice-presidente eleito, general Mourão, ganha mais uma queda de braço na disputa interna que se desenvolve na formação do governo Bolsonaro
O vice-presidente eleito, general Mourão, nega que haja intenção das Forças Armadas de aplicar um golpe de Estado, em favor de Bolsonaro

Sobre as ameaça a outros poderes, se isso não significaria uma ameaça à democracia, com risco de golpe, Mourão insistiu que não há ambiente para uma ruptura no regime republicano.

— Quem é que vai dar golpe? As Forças Armadas? Que que é isso, estamos no século XIX? A turma não entendeu. O que existe hoje é um estresse permanente entre os poderes. Eu não falo pelas Forças Armadas, mas sou general da reserva, conheço as Forças Armadas: não vejo motivo algum para golpe — afirmou.

Imprensa

Sobre a declaração do terceiro filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de que não é uma questão de se, mas quando ocorrerá uma ruptura, Mourão foi direto.

— Me poupe. Ele é deputado, ele fala o que quiser. Assim como um deputado do PT fala o que quiser e ninguém diz que é golpe. Ele não serviu Exército. Quem vai fechar Congresso? Fora de cogitação, não existe situação para isso — rebateu.

Em linha com o vice-presidente, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, também afirmou nesta quinta-feira que uma intervenção militar “não resolve nada” e que no governo “ninguém está pensando nisso”. Segundo Heleno, apenas a imprensa pensa nessa possibilidade.

— Intervenção militar não resolve nada. Ninguém está pensando nisso. Não houve esse pensamento nem da parte do presidente, nem da parte de nenhum dos ministros. Isso só tem na cabeça da imprensa. A imprensa está contaminada com isso, não sei por que — disse Heleno a jornalistas, no Palácio da Alvorada.

‘Absurdo’

De acordo com o ministro, os pedidos por uma intervenção das Forças Armadas, que ocorrem em protestos a favor do governo, são isolados e fazem parte do direito de livre manifestação. Quanto à nota que divulgou na semana passada, dizendo que uma apreensão do celular do presidente Jair Bolsonaro traria “consequências imprevisíveis”, Heleno disse ter feito uma nota “genérica”, sem citar o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A nota foi publicada após Celso de Mello encaminhar ao procurador-geral da República, Augusto Aras, um pedido apresentado por parlamentares de oposição de apreensão do celular de Bolsonaro.

— Eu não citei o nome do ministro Celso de Mello, não citei o nome do procurador-geral. Fiz uma nota simplesmente genérica e houve uma distorção. Teve gente que colocou o nome do ministro Celso de Mello, como se eu tivesse dirigindo a nota a ele. Não dirigi a nota a ninguém.

Para o ministro, é um “absurdo” vincular a nota a uma possível intervenção militar:

— Uma nota completamente neutra, colocando o problema em si, sem citar nomes. Não falei em Forças Armadas, não falei em intervenção militar. Teve gente que disse que aquilo ali era um preâmbulo da intervenção militar. Virou moda. Isso é um absurdo, ninguém está pensando nisso, ninguém conversa sobre isso — desconversou.

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