MST e povos indígenas formam aliança estratégica, na arena política

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Publicado segunda-feira, 18 de abril de 2022 as 17:19, por: CdB

O diálogo foi fortalecido durante a plenária ‘Aliança dos Movimentos Populares para Fortalecer a Luta Indígena’. A atividade buscou destacar a aliança entre as diversas organizações presentes para enfrentar o retrocesso de direitos provocado pelo Governo Bolsonaro.

Por Redação, com ACS – de Brasília

Durante a mesa de encerramento do Acampamento Terra Livre, povos indígenas e movimentos populares alinharam estratégias para combater os retrocesso de direitos provocados pelo Governo Federal. As conversas se consolidaram na quinta-feira, durante encontro final no Acampamento Terra Livre (ATL), que ocorreu na Capital Federal.

Candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (PSOL), a índia Guajajara responde a Bolsonaro: "Nossas terras não estão à venda"
Candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (PSOL), a índia Guajajara responde a Bolsonaro: “Nossas terras não estão à venda”

O diálogo foi fortalecido durante a plenária ‘Aliança dos Movimentos Populares para Fortalecer a Luta Indígena’. A atividade buscou destacar a aliança entre as diversas organizações presentes para enfrentar, entre outros temas, o retrocesso de direitos provocado pelo Governo Bolsonaro.

Participaram da plenária, além da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) -, representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE/Carta de Belém), Movimento Pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e Cooperativas de Trabalho de Materiais Recicláveis do Distrito Federal (CENTCOOP).

Povos da floresta

Presente na mesa da plenária, Alexandre Conceição, da direção nacional do Movimento Sem Terra, lembrou da importância dos povos do campo, das águas e das florestas na defesa do meio ambiente.

— Se hoje tem mata em pé e rios com peixe é por causa dos povos indígenas, camponeses e quilombolas, que estão nos seus territórios, em defesa da natureza e da vida — afirmou o dirigente nacional do MST.

Este ano, o Acampamento Terra Livre trouxe como lema a palavra de ordem ‘Retomando o Brasil: demarcar territórios e aldear a política’. O lema se alinha à definição política tomada pelas organizações indígenas de lançarem candidaturas nas próximas eleições.

A definição busca levar para sociedade o debate em torno da questão indígena, além de engrossar as fileiras de parlamentares que defendem a pauta dos povos indígenas no Congresso Federal e nas Assembléias Legislativas dos estados. A estratégia também se alinha com o lançamento de candidaturas próprias este ano pelo MST.

Terra Livre

Ao lado de Alexandre e demais representantes dos movimentos populares, Sônia Guajajara, da Coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), refletiu sobre os desafios que têm em conjunto neste ano de 2022.

— Temos a missão de aldear a política e vamos resistir entrando pela porta da frente daquele Congresso Federal. Em 2023 teremos a bancada do cocar — destacou Guajajara.

Alexandre Conceição também salientou a necessidade de entrar na arena política com todas as forças populares para derrotar Bolsonaro nas próximas eleições.

— Nossa maior responsabilidade este ano será a organização dos Comitês Populares para derrotar Bolsonaro e o Centrão — afirmou o dirigente.

Organizado pela APIB, o acampamento começou no último dia 4 de abril e se encerrou nesta quinta-feira, levando para Brasília cerca de 8 mil indígenas para lutarem contra projetos que violam os direitos dos povos originários, como é o caso dos retrocessos em relação ao Marco Temporal da demarcação de terras indígenas, o Projeto de Lei 191/2020, que abre as terras indígenas para a mineração, entre outros.

Ao longo dos dez dias do ATL, os povos originários usaram suas tradições, cantos e palavras de ordem para denunciar a política anti-indígena do atual governo, que atenta, desde o começo do mandato – em 2019 – contra as vidas e os territórios dos indígenas de todo o país.

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