Muita gente que bateu panela hoje chora pela democracia, afirma Chaui

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Publicado terça-feira, 17 de abril de 2018 as 17:11, por: CdB

A filósofa Marilena Chaui reconheceu estar preocupada com a democracia brasileira; e com as eleições de outubro. Disse que, em outros anos eleitorais, no mês de abril; já se sabia com mais clareza quem eram os candidatos.

 

Por Redação, com RBA – de São Paulo

 

Uma imensa maioria da classe média brasileira está arrependida de ter ajudado a depor a presidenta Dilma Rousseff (PT), há exatos dois anos. Muitos fingem que não, avalia a filósofa Marilena Chaui.

A filósofa Marilena Chaui preocupa-se com os destinos da democracia brasileira
A filósofa Marilena Chaui preocupa-se com os destinos da democracia brasileira

Analista contundente da realidade brasileira, ela participou, na noite passada, do programa Entre Vistas, da TVT, apresentado pelo jornalista Juca Kfouri. O programa é exibido semanalmente às 21h, em São Paulo, pelo canal digital 44.1 – também no Youtube e Facebook

— É impossível que ela (a classe média) não veja todos os dias os resultados do governo Temer. Há essa percepção, mas ela é razoavelmente enrustida. Se você der visibilidade para o equívoco, a classe média recua. Acho que ela se deu conta de que foi um passo equivocado — avalia Marilena Chaui.

Cenário

Durante quase uma hora de entrevista, a filósofa reconheceu estar preocupada com as eleições de outubro. Disse que, em outros anos eleitorais, no mês de abril; já se sabia com mais clareza quem seriam os candidatos. E quais eram as bases dos programas; situação oposta à de 2018.

O cenário está “bagunçado”, constata. E a população ainda não pensa nas eleições.

— Minha impressão é que houve uma devastação tão grande dos políticos e dos partidos, da credibilidade do Legislativo, que faz com que as eleições pareçam distantes ou nem possam acontecer — acrescenta.

Manifestações

A filósofa e professora da Universidade de São Paulo (USP) define o momento do país como o de “desconstituição da República”, no qual os três poderes disputam a hegemonia e se desqualificam mutuamente. Por um lado, o Executivo e o Legislativo perderam a confiança da sociedade. Na outra ponta, o Judiciário, antes um poder obscuro, agora decide e muda de opinião conforme as circunstâncias e interesses dos seus membros. 

— Você sente que há uma espécie de insegurança com o funcionamento da República, porque ela está desfeita — afirma.

Ao longo do programa, a filósofa voltou a fazer considerações sobre as manifestações de junho de 2013. Foi uma época em que milhares de brasileiros saíram às ruas, vestidos com a camisa da seleção brasileira de futebol e bateram panelas. Ajudaram, com isso, a esfacelar a democracia brasileira. Em seguida, o golpe de Estado. Ela recordou ter ficado apavorada com cenas que já prenunciavam o ovo da serpente do fascismo ressurgindo no Brasil.

Individualismo

A professora também abordou a influência da mídia tradicional nos destinos do país. Analisou a “revolução econômica, social e antropológica” causada pelo programa Bolsa Família na região Nordeste. E a concepção neoliberal que vai se firmando na sociedade.

— O neoliberalismo criou a crença no individualismo, onde cada um é responsável pelo próprio sucesso ou fracasso, numa competição extrema. É mais difícil hoje desmontar essa barbaridade do individualismo criado pelo neoliberalismo — ponderou Marilena Chaui.

Além do jornalista Juca Kfouri, o Entre Vistas teve a participação da jornalista Marilu Cabañas, da Rádio Brasil Atual, e de Júlio César Silva Santos, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região.