Mulher de Queiroz cita Bolsonaro e diz que tinha medo de ser assassinada

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Publicado terça-feira, 6 de julho de 2021 as 16:44, por: CdB

Jair Bolsonaro (sem partido) ficava com até 90% dos salários de seus assessores, segundo informação em áudios obtidos de Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, assessor da família presidencial. Ela queixou-se, em um telefonema gravado, quando o operador do esquema da ‘rachadinha’ estava escondido em Atibaia (SP), em imóvel do advogado Frederick Wassef.

Por Redação – de São Paulo

O caso da chamada ‘rachadinha’, prática criminosa exercida por parlamentares que recebem parte dos vencimentos de servidores públicos dos seus gabinetes, da qual é acusado o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e dois de seus filhos, ganhou um novo capítulo na nova reportagem da jornalista Juliana dal Piva. A colunista do portal UOL, de propriedade do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, publicou mais informações, nesta terça-feira.

Márcia e Queiroz, em um tempo em que foram felizes no comando do esquema criminoso ligado à milícia armada, segundo inquérito policial
Márcia e Queiroz, em um tempo em que foram felizes no comando do esquema criminoso ligado à milícia armada, segundo inquérito policial

Dal Piva revelou que Jair Bolsonaro ficava com até 90% dos salários de seus assessores e embasa a informação com áudios obtidos de Márcia Aguiar, mulher de Fabrício Queiroz, assessor da família Bolsonaro. Ela queixou-se, em um telefonema gravado, quando o operador do esquema de corrupção da ‘rachadinha’ estava escondido em Atibaia (SP), em imóvel do advogado Frederick Wassef, contratado do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Áudio

“Na ocasião, Márcia desabafou com uma amiga que não aguentava mais ter Queiroz longe da casa da família no Rio de Janeiro. Em novembro de 2019, o ex-assessor de Flávio era obrigado a ficar na casa do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, em Atibaia, no interior de São Paulo”, escreve a jornalista.

— Só que eu também não tô aguentando. Tá entendendo? Eu tô muito preocupada com ele. A minha saúde também está abalada, tá entendendo? A gente não pode mais viver sendo marionete do ‘Anjo’ (Wassef). Ah, você tem que ficar aqui, traz a família. Esquece cara, deixa a gente viver a nossa vida! Qual o problema? Vão matar? Ninguém vai matar ninguém, se tivesse que matar já tinha pego um filho meu aqui, você tá entendendo? Então deixa a gente viver a nossa vida aqui com a nossa família — desabafou Márcia, no áudio.

A existência do áudio já havia sido revelada pelo diário conservador paulistano O Estado de São Paulo (OESP), no ano passado. Na véspera, a colunista publicou uma série de matérias com áudios de uma ex-cunhada do presidente que mostram o envolvimento direto do presidente Jair Bolsonaro com o esquema de entrega ilegal de salários dos assessores em seu próprio gabinete na Câmara dos Deputados.

No STF

A coluna também revelou, na segunda-feira, um áudio no qual Márcia Aguiar chamou o presidente Jair Bolsonaro de “01”. Procurada, a defesa de Márcia Aguiar não retornou os contatos para o UOL.

O áudio de Márcia Aguiar foi captado no dia 26 de novembro de 2019. Nessa época, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgava a legalidade do compartilhamento de dados da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) com as instâncias de investigação, a exemplo dos Ministérios Públicos (MPs).

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