Múltiplas crises enfraquecem o governo Bolsonaro

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Publicado sexta-feira, 15 de maio de 2020 as 09:58, por: CdB

Perto de completar um ano e meio de governo, Bolsonaro enfrenta seu pior momento no Palácio do Planalto. Sua marcha pela insensatez no combate ao covid-19 mergulhou o país em uma crise sanitária que já matou cerca de 13 mil brasileiros.

Por Wadson Ribeiro – de Brasília

Perto de completar um ano e meio de governo, Bolsonaro enfrenta seu pior momento no Palácio do Planalto. Sua marcha pela insensatez no combate ao covid-19 mergulhou o país em uma crise sanitária que já matou cerca de 13 mil brasileiros.

Jair Bolsonaro enfrenta seu pior momento no Palácio do Planalto
Jair Bolsonaro enfrenta seu pior momento no Palácio do Planalto

A economia amarga índices de desempregos estratosféricos, o dólar bate recorde de valorização e há projeções que apontam para uma retração do PIB perto de 10% no próximo ano. Somado a isso, avoluma-se uma crise política que pode gerar consequências jurídicas que levem ao impedimento do presidente.

Da mesma forma relâmpago com a qual Bolsonaro chegou à Presidência da República, sua saída também poderá se dá por uma causa fortuita. Os primeiros relatos da reunião do dia 22 de abril chamam a atenção porque confirmam as declarações do ex-ministro Sergio Moro, que afirmou ter havido tentativa de interferência política no comando da Polícia Federal por parte do presidente. A indicação de Alexandre Ramagem, amigo dos filhos de Bolsonaro, para o cargo de diretor-geral da PF, e que só não se efetivou pela negativa do ministro do STF Alexandre de Moraes, confirma a interferência. Na reunião, além de ataques ao STF, aos governadores e aos prefeitos, fica evidente a tentativa de Bolsonaro de intervir na Superintendência Regional da PF do Rio de Janeiro em nome de um maior controle das operações contra seus familiares e amigos.

Divulgação do vídeo

Além da divulgação do vídeo da fatídica reunião, que logo em breve deixará claro o conteúdo dos diálogos, os depoimentos dos ministros militares são cuidadosos e não saem em plena defesa de Bolsonaro, preferem, como sempre, relativizar o momento e atribuir possíveis excessos por parte do presidente a um estilo pessoal. Contudo, para além das fanfarrices do presidente que sempre grassaram impunimente, pela primeira vez vai se construindo materialidade e provas concretas de atos ilegais praticados por Bolsonaro.

Não há outro caminho senão aquele em que a PGR apresente denúncia contra Bolsonaro e que o Congresso Nacional abra uma Comissão Parlamentar de Inquérito contra o presidente. Por um lado, Bolsonaro estará cercado pelos procuradores da República e, por outro, dependente do centrão no Congresso para evitar um impeachment.

Crise política

Aliado a esse cenário de crise política com perigosos reflexos para a continuidade do governo, o Brasil tem batido recordes diários de mortes pela covid-19 e o cenário que se avizinha é ainda mais preocupante. Para que se tenha uma ideia, nessa mesma reunião, em plena pandemia e com casos de morte crescendo no Brasil, o governo reúne sua cúpula durante mais de quatro horas e não há um ponto na pauta sobre o tema pandemia no Brasil.

O descaso do governo com a vida dos brasileiros e a forma irresponsável como encaram a covid-19, faz a aprovação do governo desabar. A avaliação negativa do governo cresceu 12,4%, saltando entre os meses de janeiro a maio de 31% para 43,4%.

A avaliação negativa do governo é maior que a positiva, que caiu no mesmo período de 34,5% para 32%. Outros 55,4% desaprovam o desempenho pessoal do presidente. Esses dados estão na pesquisa CNT/MDA divulgada esta semana.

Uma parcela da população

Bolsonaro ainda não é um cachorro morto. Goza de prestígio e aprovação em uma parcela da população. No entanto, é inegável que caminha para uma situação de grande isolamento político e de desgastes na opinião pública.

Não basta um presidente não reunir mais condições de governar para ser retirado do cargo. É preciso que as condições subjetivas estejam dadas e a nova saída pactuada. Foi assim com Itamar e Temer recentemente. Uma frente de salvação nacional comprometida com a democracia, com desenvolvimento nacional, com a soberania e os direitos do povo, se faz urgente para dar sentido e perspectiva a esses dias obscuros vivenciados no Brasil.

Wadson Ribeiro, é presidente do PCdoB-MG, foi presidente da UNE, da UJS e secretário de Estado.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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