Não é corrupção, é genocídio!

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Publicado quarta-feira, 7 de julho de 2021 as 10:00, por: CdB

 

Apesar dos recentes escândalos de corrupção e novas provas dos esquemas de rachadinhas, o maior dos crimes de Bolsonaro foi jogar mais de 500 mil brasileiros à morte, seu crime maior foi genocídio.

Por Wellington Duarte – de Brasília

Não. Não é apenas corrupção. Não é mesmo. Atribuir, como tem feito parte da grande mídia, que o maior problema do governo do Mandrião foi revelado agora, com fortes indícios que há, de fato, uma quadrilha mafiosa instalada no poder central, como já se suspeitava, até porque os milicianos, senhores do poder, não tiveram pudor nenhum em expressar isso, é um erro primário. Bolsonaro e sua chusma estão destruindo o país deliberadamente e, sabotar a vacinação, urdindo um golpe bilionário, é a faceta mais trágica desse assalto.

O maior dos crimes de Bolsonaro foi jogar mais de 500 mil brasileiros à morte

É fato que pelo menos uma parcela da mídia oligopolista vem batendo na tecla da incompetência e sabotagem da vacinação, mas insiste em separar o genocídio da calamitosa gestão econômica, que desaparelhou o Estado e o tornou frágil, em termos de políticas proativas diante da pandemia, além de fincar uma cunha devastadora no próprio aparelho de Estado, em vários terrenos, tornando a gestão pública um espetáculo de incompetência e acanalhamento institucional e, num cenário de pandemia, isso travou o Estado, com consequências calamitosas para a população.

A gangue no poder dividiu suas ações desde o primeiro dia que o conquistaram. O assalto foi sistemático, meticuloso, organizado. Não foi produto de horda de depravados desmiolados, mas sim de pessoas inescrupulosas que, sob o olhar complacente de boa parte da sociedade, quando não apoio ostensivo, resolveu pilhar e destruir o estado brasileiro. Essa, desde, 1° de janeiro de 2019, foi a “missão” dessa cambada e não podemos, de forma nenhuma, esquecer disso.

Protegido pelo seu “liberalismo”

Protegido pelo seu “liberalismo”, a quadrilha, como uma nuvem de gafanhotos, promoveu uma devastação institucional e econômica, com consequências bem presentes na casa das pessoas, no “mundo” do trabalho e em todas as esferas sociais, trazendo de volta a miséria e a fome, revelando a fragilidade de uma democracia que sempre foi trôpega, pois sempre foi palco de uma disputa acirrada entre os que querem o desenvolvimento da nação brasileira e os que querem o crescimento econômico a qualquer custo. A chegada do Mandrião mudou o cenário.

Após dois anos e meio de mandato, com o presidente cometendo crimes diários nesse cenário de pandemia, o que se viu, com a instalação da “CPI da Covid”, foi um governo que, numa democracia mais desenvolvida, já teria um presidente preso, junto com sua ralé bajuladora e operadora de ilegalidades de toda ordem.

A revelação

A revelação, através de áudios, de que havia uma operação ilegal, chamada carinhosamente de “rachadinha”, mas que é peculato, apenas mostra, aos incautos, que a figura na qual depositaram a confiança das “mudanças” é um elemento periculoso e que, com o poder do Estado, exibe sinais de desequilíbrio, não sei se mental, e opera dia e noite para apressar a destruição do Estado, enquanto busca desesperadamente cooptar as polícias militares e as forças armadas, para fechar a democracia numa caserna miliciana. O presidente miliciano já tinha raízes fincadas na corrupção há décadas e foi eleito como consequência da ruptura ocorrida em 2016.

É óbvio que Bolsonaro enfrenta seu pior momento, mas isso não significa que está nocauteado, pois ele tem simplesmente o aparelho de Estado à sua disposição e basta ver seus planos para a TV Brasil, transformando-a numa “tevê eleitoral”, sem nenhum esforço em esconder isso; além de poder manusear o orçamento e continuar a produzir ilegalidades diárias, sob o manto de proteção do presidente da Câmara de Deputados, Artur Lira, que deve ter uma gaveta entupida de processos de impeachment, além de provavelmente passar o dia fazendo promessas para o “centrão”, para que este não deixe o presidente só.

E la nave vá….

 

Wellington Duarte, é professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Rio Gande do Norte – UFRN, doutor em Ciência Política e presidente do Sindicato dos Professores da UFRN (ADURN-sindicato).

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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