Não nos enganemos com a ‘casa de mãe Joana’

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Publicado sexta-feira, 13 de setembro de 2019 as 09:54, por: CdB

A demissão do secretário da Receita Federal, Marcos Cintra, explicitadamente por haver desobedecido a uma ordem do presidente da República, mais uma dentre várias nos escalões superiores do governo pelo mesmo motivo, gera contrariedade em uns, no mercado, especial, e comentários jocosos da parte de outros.

Por Luciano Siqueira – de Brasília

Eu mesmo escrevi algo assim no Twitter, denominando o governo de “casa de mãe Joana”, expressão tipicamente nordestina que se aplica a algum grupo ou instituição em quem muita gente manda e ninguém acerta o prumo.
O povo brasileiro vem pagando muito caro pelas consequências dessa concepção tática estreita

Mas no caso do atual governo é um exagero e uma impropriedade.

Que o presidente é despreparado, confuso e inconsequente é óbvio. Porém alguém manda e sabe o que pretende fazer, nominadamente a equipe econômica, que executa a agenda ultraliberal apoiada maioria parlamentar sensível a essa agenda.

Desse modo, não basta ridicularizar desacertos e descaminhos do presidente e de seus ajudantes mais próximos. É preciso acompanhar diligentemente o conjunto da obra e oferecer apreciação crítica abrangente e aprofundada.

E, na ação política, persistir o esforço de juntar forças capazes de convergirem em torno de uma plataforma comum.

Mobilização da sociedade

Seja no parlamento, onde sempre é possível explorar com habilidade contradições e divergências no tempo governista; seja através da mobilização da sociedade.

Nesse sentido, subestimar a importância da coalizão (marcadamente ampla e plural) que lançou o manifesto “Direito Já – Fórum pela Democracia”, em São Paulo, no último dia três, revela miopia política e sectarismo inconsequente.

Pois não se dificulta a implementação da agenda ultraliberal — antinacional e antipopular, incompatível com a democracia — e muito menos se a interdita, sem uma posição com o desenho revelado no ato acontecido no Tuca, em São Paulo.

O povo brasileiro vem pagando muito caro pelas consequências dessa concepção tática estreita e atrasada, para citar o período mais recente, do impeachment da presidenta Dilma à eleição de Bolsonaro.

Luciano Siqueira, é Médico, vice-prefeito do Recife, membro do Comitê Central do PCdoB

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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