Naruhito se torna imperador do Japão

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Publicado quarta-feira, 1 de maio de 2019 as 11:57, por: CdB

Ascensão formal ao trono ocorre um dia após a abdicação de seu pai, Akihito, que ocupou posição por 30 anos. Mudança também marca início de nova era imperial.

Por Redação, com DW – de Tóquio

O novo imperador do Japão, Naruhito, ascendeu formalmente nesta quarta-feira ao Trono do Crisântemo, em uma cerimônia solene realizada um dia após a abdicação de seu pai, Akihito.

Naruhito se tornou o 126º imperador da história do Japão, após protagonizar a primeira sucessão em vida no Trono do Crisântemo em 200 anos

– Ao ascender ao trono, juro que terei em profunda consideração o curso seguido por Sua Majestade o imperador emérito (Akihito) – disse Naruhito, que também se comprometeu “agir de acordo com a Constituição” e a ter sempre presente em seus pensamentos “o povo e respaldá-lo”.

Naruhito realizou um breve discurso diante de um reduzido número de convidados no Palácio Imperial, após sua ascensão ao trono em um ato ritual onde herdou os tesouros imperiais do Japão e os selos imperiais que simbolizam o poder do imperador.

– Quando penso na grande responsabilidade que assumi, me enche um sentimento de solenidade – disse o novo imperador, de 59 anos, no início de seu discurso, diante de 266 representantes políticos e institucionais e membros da família imperial, realizado no Palácio Imperial, em Tóquio.

Naruhito dedicou grande parte de seu breve discurso ao seu pai e antecessor. Segundo ele, Akihito “desempenhou cada uma de suas funções com honestidade por mais de 30 anos, rezando pela paz no mundo e pela felicidade das pessoas, compartilhando sempre as alegrias e tristezas das pessoas”, disse Naruhito, que estava acompanhado da imperatriz Masako.

– Ele mostrou uma profunda compaixão através de seu próprio comportamento – afirmou o novo imperador sobre o pai, também destacando seu “respeito e apreço” em relação a ele.

O imperador concluiu seu discurso expressando seus desejos “pela felicidade do povo e continuidade no desenvolvimento da nação, bem como a paz no mundo”.

A ascensão ao trono de Naruhito marca também o começo de uma nova era no calendário japonês, chamada “Reiwa” (bela harmonia), depois de terminar a anterior, “Heisei” (paz).

Naruhito se tornou o 126º imperador da história do Japão, após protagonizar a primeira sucessão em vida no Trono do Crisântemo desde a renúncia do imperador Kokaku, em 1817.

Apenas no dia 22 de outubro Naruhito e Masako aparecerão vestidos com os elaborados trajes imperiais, em uma cerimônia no Palácio, antes de um desfile pela capital.

O novo imperador receberá a saudação dos primeiros chefes de Estado no final do mês de maio, incluindo a do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Nascido em 23 de fevereiro de 1960, Naruhito foi o primeiro príncipe que cresceu sob o mesmo teto que os seus pais, ao invés de ser educado por instrutores e tutores.

Na década de 1980 estudou durante dois anos na Universidade de Oxford, no Reino Unido, após obter um diploma em história no Japão. Akihito, por outro lado, teve uma educação bem mais tradicional, conduzida por tutores imperiais.

Tal como o pai, Naruhito se casou com uma plebeia, a princesa-herdeira Masako, que deixou uma promissora carreira diplomática ao se casar com o príncipe-herdeiro em 1993.

Masako enfrentou considerável pressão pública para dar a Naruhito um filho – pressão que se intensificou com o nascimento da única filha do casal, a princesa Aiko, em 2001. No Japão, apenas homens são considerados herdeiros do trono. Akishino, irmão de Naruhito, é o próximo na linha sucessória – não há herdeiros do trono depois do filho de 12 anos de Akishino.

A figura do imperador do Japão foi forjada ao longo dos séculos a partir da origem divina que simbolicamente foi associada. Mas a história recente tem reafirmado o papel do imperador como um símbolo de unidade do Estado, embora com funções políticas quase nulas.

Após a derrota do Japão na Segunda Guerra, o novo papel do imperador ficou muito limitado, praticamente com valor simbólico. O imperador nomeia o primeiro-ministro do país, mas estritamente de acordo com a decisão do Parlamento.

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