Neymar resiste à esterilização do futebol

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Publicado sexta-feira, 6 de julho de 2018 as 12:24, por: CdB
Vídeo editado na Suíça, visto por mais de um milhão nas redes sociais, quer ridicularizar Neymar. Em vão!  Qual é a de vocês, do futebol europeu? O futebol brasileiro pode perder não só pelo felipônico placar de 7×1, mas até por 70×1, e ainda assim continuará sendo o mais fascinante futebol do mundo. Uma lembrancinha: sem os craques brasileiros, o futebol europeu vai se transformar num majestoso campeonato de várzea, com seus eternos 0x0 e ferozes decisões por pênaltis.
Por Apóllo Natali, de São Paulo:
Futebol com dribles e não de defesa fechada

Que história é essa de atrapalharem o futebol de dribles do Neymar? Expliquem por que tentam impor a esse moço a obrigatoriedade de, quando receber uma falta, não cair.

Louis Pasteur, o cientista francês que criou a vacina contra a raiva, foi também o inventor de um processo de esterilização dos alimentos cuja denominação deriva do seu sobrenome: pasteurização. Significa esfriar subitamente os alimentos, quando eles estão a uma temperatura superior a 60ºC.
Para aqueles com sérios problemas de visão, o velho continente não quer, propriamente, esfriar o futebol brasileiro. Os europeus querem que o Brasil jogue como eles, na base da canelada.
Que história é essa de atrapalharem o futebol de dribles do Neymar? Expliquem por que tentam impor a esse moço a obrigatoriedade de, quando receber uma falta, não cair.
Qual é a de vocês, do futebol europeu? O futebol brasileiro pode perder não só pelo felipônico placar de 7×1, mas até por 70×1, e ainda assim continuará sendo o mais fascinante futebol do mundo.
Apenas aqueles que não enxergam um palmo diante do nariz deixam de perceber que essa juizada toda está discriminando o Neymar. Eles querem pendurar numa forca o talento desse menino.
Uma lembrancinha: sem os craques brasileiros, o futebol europeu vai se transformar num majestoso campeonato de várzea, com seus eternos 0x0 e ferozes decisões por pênaltis.
Para terminar: não sou adepto de teorias conspiratórias, mas fico com uma pulga atrás da orelha ao ver tanto gringo avacalhando o Neymar ao mesmo tempo… e justamente depois de Messi e Cristiano Ronaldo terem sido completas decepções no Mundial da Rússia, morrendo abraçados no último sábado (3), quando a Argentina perdeu da França por 4×3 e Portugal do Uruguai por 2×1.
Mal a segunda partida terminava, começaram as especulações sobre quem ganharia a Bola de Ouroda Fifa  deste ano, após uma década inteira com o argentino e o lusitano monopolizando o prêmio (cinco troféus cada).
A chance de Neymar afinal realizar o sonho de sua vida é considerável; se o Brasil vier a ser hexa, trata-se praticamente de uma certeza.
Tal acontecendo, uma infinidade de grandes negócios que giram em torno do esporte será afetada. As empresas que os patrocinam, bem como aos clubes Barcelona e Real Madrid, vão perder um grande trunfo de marketing. O Paris Saint German terá uma poderosa alavancagem. E assim por diante.
Então, podemos supor que a enxurrada de esculhambações contra o Neymar se deva unicamente a todas essas distintas pessoas só terem percebido agora algo que todo mundo sabe há muito tempo: que, como forma de desestimular as entradas violentas que recebe o tempo todo, ele simula estar sofrendo dores muito piores do que as reais. Ou seja, com suas encenações canastrônicas, tenta influenciar os juízes para que eles assinalem faltas, pênaltis e distribuam cartões, fazendo os zagueiros cavalos pensarem duas vezes antes de lhe cravarem as ferraduras.
Mas, sendo o mundo dos negócios podre como é, não podemos ignorar a possibilidade de que a campanha de desmoralização do Neymar não seja tão inocente assim, tendo algo a ver com os prejuízos que algumas megaempresas sofrerão se ele conquistar a posição de garoto-propaganda nº 1 do futebol mundial.

ApólloNatali foi o primeiro redator da antiga Agência Estado, redator da Rádio Eldorado, do Estadão e do antigo Jornal da Tarde. Escreve atualmente para diversos sites e blogs de notícia, como o Observatório da Imprensa.

Direto da Redação é um fórum de debates editado pelo jornalista Rui Martins.

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