Norte-americanos acreditam que sanções prejudicam mais os EUA do que a Rússia

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Publicado terça-feira, 10 de maio de 2022 as 13:43, por: CdB

O governo Biden tenta culpar a Rússia e seu presidente, Vladimir Putin, pelo aumento do custo de vida nos EUA, com seus funcionários se referindo repetidamente à crise de preços como “aumento de preços de Putin”.

Por Redação, com Sputnik – de Washington

Com sérios problemas econômicos em casa, pesquisa demonstra que maioria dos norte-americanos não estão preocupados com uma derrota de Kiev perante Moscou.

Presidente dos EUA, Joe Biden

Uma pesquisa publicada no último sábado revelou que 53% dos norte-americanos acreditam que as sanções contra Moscou prejudicam mais os EUA do que a Rússia.

Em meio ao aumento dos preços do gás e do custo de vida, os eleitores estão perdendo a confiança na liderança do presidente dos EUA, Joe Biden, e 43% dizem que estão “ok” com uma eventual derrota da Ucrânia no conflito com a Rússia.

Com o maior pico de inflação dos últimos 40 anos e os elevados preços do gás, a pesquisa do Democracy Institute/Express.co.uk revelou que Biden está com resultados negativos em todas as áreas políticas, sendo a política externa a pior delas. Cerca de 56% dos entrevistados desaprovam sua condução dos assuntos exteriores, contra 40% de pessoas que aprovam sua conduta. Sobre a Ucrânia, especificamente, apenas 38% aprovam sua administração, enquanto 52% desaprovam.

O governo Biden tenta culpar a Rússia e seu presidente, Vladimir Putin, pelo aumento do custo de vida nos EUA, com seus funcionários se referindo repetidamente à crise de preços como “aumento de preços de Putin”. No entanto, o custo de vida estava subindo há meses antes de a Rússia iniciar sua operação militar especial na Ucrânia, e os eleitores estão apontando o dedo para Biden por seus problemas econômicos.

Cerca de 50% disseram que apoiariam os republicanos nas eleições de meio de mandato em novembro, em comparação com 42% que disseram que votariam nos democratas.

Para além disso, enquanto 43% dos pesquisados estão “ok” com a derrota da Ucrânia perante a Rússia (contra 41% de “não ok”), 53% dos norte-americanos acham que seria melhor Biden deixar o cargo do que Putin (44%).

Biden sancionou os setores bancário e de energia russos, e seu governo enviou quase US$ 4 bilhões em armas (pouco mais de R$ 20 bilhões) para a Ucrânia, com o secretário de Defesa Lloyd Austin prometendo “mover céu e terra” para financiar os combates de Kiev, ainda no mês de abril. O presidente dos EUA também pediu ao Congresso que aprovasse outro pacote de ajuda financeira de US$ 33 bilhões (mais de R$ 170 bilhões) para a Ucrânia, dos quais US$ 20 bilhões (cerca de R$ 103 bilhões) seriam destinados à ajuda militar,  e na segunda-feira assinou a Lei de Empréstimo e Arrendamento de 2022, permitindo que Washington envie quantidades ilimitadas de armas para Kiev.

Dilúvio de armas

Aos olhos do Kremlin, esse dilúvio de armas, mais os acordos de compartilhamento de inteligência dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) com Kiev, significam que o Ocidente está “essencialmente entrando em guerra com a Rússia por meio de um representante”.

Os eleitores norte-americanos, no entanto, não são tão firmes quanto o governo Biden em alimentar este conflito. De acordo com a última pesquisa, eles consideram a Rússia a quarta maior ameaça aos EUA com apenas 16%, atrás da Coreia do Norte (18%), Irã (20%) e China (40%).

– Os norte-americanos eram muito favoráveis às sanções no início, (mas) eles não estão tão interessados nas sanções quanto estavam antes – disse o diretor do Instituto de Democracia, Patrick Basham, ao Express. “Biden fez essas previsões desde o início, o rublo seria destruído, a economia russa iria quebrar, as pessoas se revoltariam, Putin sairia, os russos fugiriam da Ucrânia… (mas) nenhuma dessas coisas aconteceu.”

A diferença entre expectativa e realidade tornou as pessoas cínicas, afirmou Basham, comparando a aparente perda de confiança à desilusão pública com as políticas de combate à pandemia de covid-19 em todo o Ocidente.

– O problema (agora) é que pelo menos metade do país na América acha que foi enganado por muitas coisas (relacionadas à) covid-19, então eles são ainda mais céticos em relação ao governo e à mídia do que eram há dois anos – afirmou ele.

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