Norte-americanos marcham por suas vidas em protesto contra as armas

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Publicado sábado, 24 de março de 2018 as 18:05, por: CdB

A mobilização contra as armas foi organizada pelos sobreviventes do tiroteio em um colégio de ensino médio em Parkland, na Flórida, que deixou 17 mortos em fevereiro passado; mas logo ganhou a adesão de pessoas afetadas por outros episódios semelhantes.

 

Por Redação, com Ansa – de Nova York e Washington

 

Perto de um milhão de norte-americanos, em sua maioria jovens, reuniram-se neste sábado em Washington e em mais de 800 cidades, mundo afora. Primeiramente, exigiam um basta à facilidade para se comprar armas nos Estados Unidos; país que é palco recorrente de massacres em escolas. Depois, uma legislação capaz de deter a ação do lobby em favor do armamento.

Mais de 1 milhão de norte-americanos protestaram contra a disseminação das armas, nos EUA
Mais de 1 milhão de norte-americanos protestaram contra a disseminação das armas, nos EUA

A mobilização foi organizada pelos sobreviventes do tiroteio em um colégio de ensino médio em Parkland, na Flórida, que deixou 17 mortos em fevereiro passado; mas logo ganhou a adesão de pessoas afetadas por outros episódios semelhantes. Entre eles, os sobreviventes dos massacres de Columbine (1999) e Sandy Hook (2012), e estrelas da música e de Hollywood.

Mundo afora

Em Washington, os estudantes tomaram a Avenida Pennsylvania e montaram um enorme palco, tendo ao fundo o Congresso dos Estados Unidos, que vem resistindo ao apelo por mais controles no comércio de armas e cedendo às pressões da poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA), financiadora de dezenas de deputados e senadores e até do presidente Donald Trump.

— Aos cínicos que nos disseram para ficarmos sentados, bem-vindos à revolução, uma revolução poderosa e pacífica. São mais de 800 marchas mundo afora. Hoje é o começo de um futuro brilhante para o país — declarou um dos líderes dos estudantes.

Os organizadores disseram, em seguida, que a mobilização inclui cerca de 840 “marchas pelas nossas vidas”, sendo 700 em solo norte-americano.

Poder de fogo

Nos outros países, foram registrados atos em cidades como Paris, Londres, Roma, Milão, Florença, Madri, Tóquio e Sydney. Até o momento, Trump não se pronunciou sobre as marchas, nem mesmo em seu Twitter, principal plataforma de comunicação de seu governo.

O último comentário do presidente na rede social sobre o assunto foi o anúncio de uma medida, na última sexta-feira, para proibir os “bump stocks“. Estes dispositivos são acessórios usados para aumentar o poder de fogo de fuzis semiautomáticos. O veto foi uma das reivindicações dos estudantes.

No entanto, uma porta-voz da Casa Branca, Lindsay Walters, elogiou os “numerosos jovens americanos que estão exercendo hoje seu direito garantido pela primeira emenda”. “Garantir a segurança de nossas crianças é a principal prioridade do presidente”, declarou.

Uma das propostas de Trump para evitar novos massacres em escolas dos EUA é permitir que funcionários armados circulem entre os alunos, inclusive professores.

Reivindicações

De forma geral, os estudantes não exigem a proibição total da venda de armas nos Estados Unidos para civis. Contudo, pedem mais controles de antecedentes de compradores. Ainda, o veto a todos os armamentos semiautomáticos; além do aumento da idade mínima para adquirir armas de 18 para 21 anos. Ainda não há dados oficiais, porém, sobre a mobilização. Mas os organizadores esperavam reunir pelo menos 500 mil pessoas; o que a transformaria em uma das maiores marchas populares da história norte-americana.

“Vocês me deixaram orgulhoso de meu país novamente. Estamos 100% com vocês, mas ambos pensamos fortemente que essa é sua marcha, o seu momento”, diz um artigo publicado por George Clooney; na edição norte-americana do jornal The Guardian. Ele e sua esposa, Amal Alamuddin; doaram US$ 500 mil para a manifestação.

Por fim, já fala-se em uma nova onda de protestos em 20 de abril. Será o aniversário de 19 anos do massacre de Columbine, que deixou 13 mortos. O objetivo dos jovens é pressionar os congressistas em vista das eleições de meio de mandato, em novembro de 2018.

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