Notícias falsas e gestos absurdos tornam Bolsonaro motivo de chacota

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Publicado quinta-feira, 9 de abril de 2020 as 14:20, por: CdB

Em carta formulada em conjunto com outras instituições da sociedade civil, após Bolsonaro chamar a Covid-19 de “resfriadinho” na TV, a CNBB afirma que o ocupante do Palácio do Planalto ameaça a saúde pública com “campanha de desinformação”.

Por Redação, com DW – de Berlim, Brasília e Rio de Janeiro

Fundador de uma das maiores consultorias de risco político do mundo e presidente da Eurasia Group, o cientista político Ian Bremmer se diz surpreendido com o comportamento do presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido), diante da pandemia em curso, no mundo. Diante dos atos e declarações do dirigente brasileiro, Bremmer explica que a Eurasia rebaixou as projeções e expectativas para o Brasil.

Bolsonaro perde o que ainda lhe restava de apoio na sociedade civil e é alvo do escárnio internancional
Bolsonaro perde o que ainda lhe restava de apoio na sociedade civil e é alvo do escárnio internancional

— O presidente de uma nação não pode confrontar a ciência e o bem-estar de seus cidadãos. Além disso, ele está minando a sua própria popularidade e causando divisões dentro da base de apoio à agenda de reformas econômicas no Congresso Nacional, o que pode conduzi-lo ao impeachment. No plano internacional, ele virou motivo de chacota — disse, em entrevista à agência alemã de notícias Deusche Welle (DW).

A Eurásia, segundo Bremmer, rebaixou as projeções e expectativas para o Brasil “em função da crise pandêmica”.

— As principais razões são a condução de Bolsonaro, associada ao risco de que não consiga levar adiante a agenda de reformas econômicas e, em vez disso, volte-se para a sua base populista, mais ligada aos temas de segurança. Isso criaria muitas divisões no país. São elementos que abrem espaço para um impeachment após esta crise — disse Bremmer.

Sem apoio

Se, no campo internacional, o mandatário neofascista é uma aberração, junto à Igreja Católica não faltam críticas ainda mais pesadas. Para o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, o comportamento de Bolsonaro durante a pandemia de coronavírus gera instabilidade política e prejudica a resposta do país à covid-19.

Em carta formulada em conjunto com outras instituições da sociedade civil, após Bolsonaro chamar a Covid-19 de “resfriadinho” na TV, a CNBB afirma que o ocupante do Palácio do Planalto ameaça a saúde pública com “campanha de desinformação”. Assinam o documento a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Dom Walmor apoia, ainda, o direito da população de advertir e orientar o governo, e isso não deve ser visto como posicionamento político-partidário. Ele também critica decreto de Bolsonaro determinando a abertura de igrejas com argumento de que fazem parte de “atividades essenciais”.

Notícias falsas

Um ponto decisivo para que o governo do presidente Bolsonaro seja alvo do escárnio de dirigentes internacionais e dentro do próprio país tem sido a sistemática disseminação de notícias falsas. Acusado de manter, no Palácio do Planalto, o ‘Gabinete do Ódio’, especializado na produção de mentiras, Bolsonaro está, novamente, no centro de uma polêmica. Agora, quanto ao uso da substância cloroquina.

Uma onda de fake news invadiu as redes sociais, nesta quinta-feira, em perfis falsos no Twitter. Todos publicam uma mesma mensagem: a de que teriam um primo curado por cloroquina. O medicamento não tem eficácia não comprovada, mas Bolsonaro simplesmente despreza o fator científico em suas afirmativas.

Bolsonaro chegou a afirmar que a cloroquina seria eficiente para curar os pacientes da covid-19. O discurso embasa a tese do presidente para sugerir a retomada das atividades sociais, em franca oposição às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS). O distanciamento social tem evitado, até agora, uma curva mais acentuada de contágio e morte pelo vírus Sars-CoV-2 que, até agora, infectou ao menos 16,2 mil pessoas e causou outras 823 mortes.

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