Às voltas com notícias falsas no WhatsApp, Bolsonaro é interpelado pela índia Guajajara

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Publicado domingo, 2 de dezembro de 2018 as 15:57, por: CdB

“Bolsonaro volta a atacar! Desta vez fala que Terras Indígenas são zoológicos referindo-se aos indígenas como animais. Isso para justificar a venda dessas terras para as grandes empresas. Nossas terras não estão à venda”, escreveu a índia Guajajara.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

 

Candidata a vice-presidente na chapa do cientista político Guilherme Boulos (PSOL), nas últimas eleições, a líder indígena Sônia Guajajara criticou, neste domingo, as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) em relação aos povos indígenas e suas reservas. Guajajara disse que as terras indígenas não estão à venda, e que precisam ser preservadas.

Candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (PSOL), a índia Guajajara responde a Bolsonaro: "Nossas terras não estão à venda"
Candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (PSOL), a índia Guajajara responde a Bolsonaro: “Nossas terras não estão à venda”

“Bolsonaro volta a atacar! Desta vez fala que Terras Indígenas são zoológicos referindo-se aos indígenas como animais. Isso para justificar a venda dessas terras para as grandes empresas. Nossas terras não estão à venda, precisam ser preservadas para garantirmos o futuro do planeta!”, disse Sônia em sua conta no Twitter.

Durante a semana, o presidente eleito chegou a comparar indígenas em reservas com animais em zoológicos, o que desagradou ambientalistas e lideranças dos povos indígenas. Declarações bombásticas e, geralmente, de conteúdo duvidoso, tornou-se a marca do candidato neofascista.

Ainda neste domingo, reportagem do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo traz mais detalhes do esquema de disparos em massa de mensagens via WhatsApp na campanha eleitoral de 2018. Tal expediente repercutiu tais declarações, à larga.

Disparos

Na matéria, um ex-funcionário da Yacows, empresa especializada em marketing digital, fala sobre como funcionou o esquema de disparo de mensagens em massa. A Yacows foi subcontratada no período pela AM4, produtora que trabalhou na campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro, entre outros políticos.

Hans River do Rio Nascimento falou ao jornal após apresentar documentos à Justiça do Trabalho evidenciando irregularidades praticadas por uma rede de empresas, entre as quais a Yacows, que utilizava CPF de idosos para registrar chips de celulares e viabilizar o envio em massa de mensagens.

O ex-funcionário enviou à reportagem do jornal uma lista de 10 mil nomes de pessoas nascidas entre 1932 e 1953 que, segundo ele, era distribuída pela Yacows a operadores de disparos de mensagens no Whatsapp. Os dados teriam sido utilizados sem autorização e nem o conhecimento dos titulares.

Dez perguntas

Ativados com os dados dos usuários, os chips eram usados em equipamentos que emulam o Whatsapp para fazer os disparos. O ex-funcionário também descreve as condições de trabalho das pessoas que participavam da operação. Segundo ele, que não foi registrado, também não havia horário de almoço e nem pagamento de horas extras.

Em 18 de outubro, a Folha já havia publicado uma matéria mostrando que empresários estariam investindo milhões para fazer campanha baseada em notícias falsas, via Whatsapp, contra o PT e o seu candidato a presidente Fernando Haddad.

Em novembro, a jornalista Patricia Campos Mello, autora da reportagem divulgou em sua conta no Twitter dez perguntas sobre a fraude eleitoral do candidato do PSL que àquela época, e ainda agora, continuam sem resposta.

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