Nova alta dos juros desagrada ao mercado

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Publicado quinta-feira, 18 de novembro de 2004 as 10:27, por: CdB

A terceira elevação seguida da taxa básica dos juros, a Selic, determinada nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) deixou em estado de alerta o setor produtivo e, principalmente, desagradou a todo o mercado. A alta de 0,5 ponto percentual, fixando a taxa em 17,25% ao ano, gerou reação negativa da indústria e do comércio, com preocupações já para as vendas deste Natal e para o começo do ano que vem.

Para o presidente da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) , diante do arrefecimento que a atividade econômica já vem apresentando neste segundo semestre, o Banco Central poderia, pelo menos, manter a Selic em 16,75% e aguardar mais algum tempo para verificar a evolução dos preços.

A Fecomercio avalia que os efeitos da alta da Selic podem ocorrer já neste Natal e nos primeiros meses de 2005, quando se iniciarem seus reflexos sobre o crédito, tornando-o mais caro e menos abundante.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria manifestou “preocupação” com a decisão do Copom e afirmou que o aumento sucessivo da taxa pode comprometer a solidificação da “confiança necessária para alavancar o investimento produtivo”.

O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, diz que “a indústria assiste, com preocupação, o aprofundamento do aperto monetário em curso pelo Banco Central”.

Segundo Monteiro Neto, não há ameaças à estabilidade da inflação por causa de excesso de demanda na economia. Ele diz ainda que a recuperação da demanda doméstica é importante para solidificar a confiança necessária para alavancar o investimento produtivo.

– Essa é a condição necessária para o crescimento em bases permanentes. A alta em seqüência dos juros podecomprometer esse ambiente com impacto negativo para o crescimento futuro – diz a nota.

De abril até setembro, a Selic foi mantida em 16%. A partir de setembro, o Banco Central iniciou uma política de elevação gradual da taxa, que naquele mês passou para 16,25% e em outubro, para 16,75%.

A justificativa é de que é preciso utilizar a política de juros altos para controlar o preço. A Selic influencia a fixação das taxas do mercado, como o crediário. Ao elevar a taxa básica, o BC pretende conter o excesso no consumo.

O que os empresários do setor industrial alegam é que a situação econômica do país ainda não dá margem para o consumo excessivo, capaz de pressionar a inflação. Para eles, ao contrário, o governo precisa aquecer o mercado consumidor para produzir mais e, assim, obter o crescimento econômico esperado.