Nova crise entre Maia e Guedes coloca em xeque o cargo do ministro

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Publicado sexta-feira, 4 de setembro de 2020 as 19:20, por: CdB

Maia acrescentou a interlocutores, nesta manhã, que já iniciou entendimentos com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, após afirmar que Guedes proibiu o diálogo de integrantes do ministério com o presidente da Câmara.

Por Redação – de Brasília

Azedou de vez, nesta sexta-feira, o diálogo entre o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Maia interrompeu o entendimento com o economista neoliberal e deixou claro que trabalha, doravante, para apeá-lo do cargo.

Guedes conversou com Rodrigo Maia, na tentativa de colocar panos quentes na crise com Bolsonaro
A política econômica do governo, chefiada por Paulo Guedes, tem gerado um número cada vez maior de desempregados e amplia oposição na Câmara

— Foi encerrada a interlocução — reafirmou o parlamentar, na noite passada.

Maia acrescentou a interlocutores, nesta manhã, que já iniciou entendimentos com o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, após afirmar que Guedes proibiu o diálogo de integrantes do ministério com o presidente da Câmara.

— Eu não tenho conversado com o ministro Paulo Guedes, ele tem proibido a equipe econômica de conversar comigo. A gente tinha um almoço com o Esteves e com o secretário do Tesouro para tratar do Plano Mansueto (na véspera), e os secretários foram proibidos de ir à reunião — reclamou o deputado.

Ultraliberal

Em resposta ao deputado do DEM fluminense, Guedes tentou reduzir o volume do ruído que já chegava ao mercado de câmbio e à B3, nesta manhã, e disse que a crise é menor do que parece, uma vez que ele e Maia entendem-se “perfeitamente, há muito tempo”. Mas há controvérsias, segundo o presidente da Câmara.

— Decidi que a relação da Presidência da Câmara será com o ministro Ramos, e o ministro Ramos conversa com a equipe econômica, para não criar constrangimento mais para ninguém. Mas isso não vai atrapalhar os nossos trabalhos, de forma nenhuma — afirmou.

O discurso ultraliberal de Guedes vem perdendo substância junto ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e os ministros das alas militar e desenvolvimentista ocupam, rapidamente, os espaços deixados pela retórica conservadora. Os generais Luiz Eduardo Ramos, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, e Walter Souza Braga Netto, da Casa Civil, defendem um níveis mais adequado de investimento público, na economia.

Em crise

A principal agenda de Guedes em oposição a Bolsonaro foi a sugestão de um pagamento que gira em torno de R$ 250 para os beneficiários do programa Renda Brasil, ainda não implementado. Bolsonaro propôs R$ 300, valor aceito – a contragosto – pela equipe econômica, que significa um aumento de R$ 110 sobre os valores pagos por família no programa Bolsa Família, uma das principais marcas dos governos petistas.

Para subsidiar a extensão do programa, Guedes pretende cortar dinheiro de outros setores, na tentativa de permanecer sob o teto de gastos, embora Bolsonaro e os líderes do chamado ‘Centrão’, no Congresso, caminhem no sentido contrário.

Não é de hoje que o relacionamento entre o presidente da Câmara e o ministro da Economia vive às rusgas. Pressionados para apresentar planos de reforma tributária, administrativa e tributária, Maia e Guedes alternaram momentos de apoio mútuo com crises e rompimentos públicos.

‘Não é sério’

Em abril deste ano, Maia e Guedes protagonizaram mais um round, à época da votação do projeto de socorro emergencial do governo federal a Estados e municípios, no início da pandemia do novo coronavírus. Após a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro revelou que Maia e Guedes estavam, definitivamente, em campos opostos.

No auge da tensão, Maia partiu para a ofensiva contra Guedes, e chegou a declarar que o ministro passava informações falsas para a sociedade e fez críticas incisivas a Guedes:

— Ele não é sério. Se fosse sério, não tentaria misturar a cabeça das pessoas — concluiu o parlamentar.