Nova Zelândia declara ‘emergência climática’

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Publicado quarta-feira, 2 de dezembro de 2020 as 13:43, por: CdB

Premiê Jacinda Ardern saúda aprovação no Parlamento de moção, que é simbólica. Oposição vê muito slogan e pouco conteúdo, e ambientalistas dizem que ações do governo são insuficientes.

Por Redação, com DW – de Wellington

A Nova Zelândia declarou nesta quarta-feira “situação de emergência climática”, um passo sobretudo simbólico já dado por mais de 30 países.

Jacinda Ardern pede a parlamentares que aprovem a moção
Jacinda Ardern pede a parlamentares que aprovem a moção

– Estamos no meio de uma crise climática que vai ter impacto em todos os aspectos das nossas vidas e no tipo de planeta que os nossos filhos vão herdar – disse o ministro das Mudanças Climáticas, James Shaw.

A moção aprovada pelo Parlamento, por 76 votos a favor e 43 contra, é simbólica, mas vem acompanhada de medidas para tornar os órgãos públicos neutros em emissões de carbono até 2025.

A primeira-ministra Jacinda Ardern disse que se trata de um importante passo para alcançar a meta de neutralidade de carbono no país até 2050. Segundo ela, a declaração é um reconhecimento do ônus que as próximas gerações enfrentam. “É sobre qual país elas vão herdar”, afirmou.

Com a declaração, a Nova Zelândia se une a um grupo de outros 32 países que declararam “emergência climática”, entre eles a França, o Canadá e o Reino Unido, que, em maio de 2019, foi o primeiro, logo seguido pela Irlanda.

Críticas ao governo

A oposição, que votou contra, disse que a moção carece de conteúdo. “A ação do governo foi um triunfo da política sobre as soluções práticas, e dos slogans sobre o conteúdo”, disse o parlamentar oposicionista David Seymour.

No ano passado, o governo conseguiu aprovar uma legislação para tornar o país neutro em emissões de carbono até 2050, apesar de excluir as emissões de gás metano dos planos, para proteger o lucrativo setor agrícola.

O metano, produzido sobretudo na pecuária, por ovelhas e bovinos, responde por quase metade das emissões de gases do efeito estufa da Nova Zelândia. Por isso, organizações ambientalistas, como o Greenpeace, dizem que Ardern fez muito pouco pelo meio ambiente desde que chegou ao poder, em 2017, apesar de a campanha dela ter focado em questões ambientais.

– Quando a casa está em chamas, não adianta acionar o alarme sem também combater o fogo – afirmou a ativista Kate Simcock sobre a declaração de emergência climática. “E, na Nova Zelândia, combater o fogo significa abordar as emissões da agricultura”, disse.

O Climate Action Tracker, um grupo científico que mede os esforços contra o aquecimento global de governos de todo o mundo, afirma que as ações da Nova Zelândia são insuficientes para alcançar as metas do país no Acordo de Paris.