Novas evidências aproximam Flávio Bolsonaro de milícias assassinas

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Publicado sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019 as 15:53, por: CdB

O parlamentar já havia empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime, apontado como executor da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

 

Por Redação – de Brasília e Rio de Janeiro

 

Senador recém-empossado e ex-deputado estadual, o primogênito do presidente da República, Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), é agora oficialmente investigado pela Procuradoria Geral de Justiça (PGR). Novas denúncias, veiculadas pela mídia conservadora, apontam que ele entregou suas contas de campanha para o Senado à irmã de dois criminosos: os irmãos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira.

Ambos foram presos, em agosto do ano passado, na operação Quarto Elemento, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, Valdenice de Oliveira Meliga, que trabalhava no gabinete de Flávio Bolsonaro, na Alerj , assinou cheques de gastos de campanha em nome dele.

O parlamentar já havia empregado em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a mãe e a mulher do ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe do grupo de milicianos conhecido como Escritório do Crime, apontado como executor da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ). Dois cheques assinados por Valdenice, em nome da campanha de Flávio: um de R$ 3,5 mil e outro de R$ 5 mil, constam nos autos do processo.

‘Laranjal’

Flávio e Jair Bolsonaro, ao lado dos irmãos Valdenice, Alex e Alan, ambos presos por crimes envolvidos com a milícia
Flávio e Jair Bolsonaro, ao lado dos irmãos Valdenice, Alex e Alan, ambos presos por crimes envolvidos com a milícia

Os irmãos participaram de atos de campanha do senador, antes da prisão. Em foto publicada no perfil de Flávio no Instagram, em outubro de 2017, o então deputado estadual aparece ao lado dos irmãos Alan, Valdenice e Alex, e do pai, Jair Bolsonaro. “Parabéns Alan e Alex pelo aniversário. Essa família é nota mil!!!”, dizia a mensagem.

Não bastasse a proximidade com a milícia, Flávio Bolsonaro passou a ser investigado também por ligação com o escândalo das candidaturas fraudulentas no PSL. Outra funcionária de seu gabinete, na Alerj, exerceu a função de primeira-tesoureira do PSL no Rio. Alessandra Cristina Ferreira de Oliveira fez a contabilidade de 42 campanhas eleitorais do partido no Estado, por meio de sua empresa, a Alê Soluções e Eventos Ltda e é apontada como coordenadora das candidaturas falsas.

As candidatas ‘laranjas’ emitiam cheques de R$ 5 mil destinados à empresa de Alessandra, que recebia de volta parte desse dinheiro, como pagamento pelos serviços de contabilidade prestados por sua empresa. Alessandra recebeu R$ 55 mil das campanhas do PSL, cobrando valor entre R$ 750 e R$ 5 mil de cada candidato.

A Alê Soluções foi constituída em maio de 2007. De acordo com a Receita Federal, a empresa fica na Estrada dos Bandeirantes 11.216, em Vargem Pequena, Zona Oeste do Rio. Mas o endereço registrado no Tribunal Regional Eleitoral é Avenida das Américas número 18.000 sala 220 D, no Recreio dos Bandeirantes, o mesmo endereço na sede do PSL.

Em sua defesa, Alessandra Oliveira afirmou a jornalistas que não vê conflito ético no fato de ser, ao mesmo tempo, tesoureira do partido, funcionária de Flávio Bolsonaro e ter contratado sua empresa para fazer a contabilidade das campanhas.

Ex-assessor

Flávio Bolsonaro também tenta se esquivar das denúncias ao afirmar que a mídia faz “uma ilação irresponsável” ao tentar vinculá-lo com candidaturas irregulares e milicianos em “mais uma tentativa de denegrir a imagem do senador”.

A procuradora-Geral da República, Raquel Dodge, por sua vez, incumbiu o Ministério Público Federal (MPF), no Rio de Janeiro, de apurar se o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) praticou os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, na operação de compra e venda de imóveis.

O caso já estava com os agentes federais, mas houve dúvida no MPF sobre em qual deveria ser a instância adequada para tramitação, uma vez que Flávio se elegeu senador. O parlamentar, no entanto, também precisará explicar sua proximidade ao ex-assessor Fabrício Queiroz.

Carros usados

Primeiro a ser ouvido no caso, o ex-assessor do então deputado estadual Agostinho Moraes da Silva admitiu, junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira, que depositava, todos os meses, cerca de dois terços de seu salário na Casa Legislativa na conta de Queiroz.

Mensalmente, assim que o salário da Assembleia era depositado em sua conta, Agostinho Moraes fazia uma transferência eletrônica para a conta de Queiroz, sempre no valor aproximado de R$ 4 mil. O depoente, que, assim como Queiroz, é policial militar, disse que ganhava aproximadamente R$ 6 mil por mês como assessor de Flávio. Além disso, ele recebia mais R$ 8,5 mil líquidos como subtenente da Polícia Militar.

O policial também afirmou, aos promotores do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça, que as transferências eram “investimentos em atividade empresarial” desempenhada por Queiroz, que seria a compra e venda de veículos. Moraes acrescentou que Queiroz lhe devolvia, sempre, de R$ 4.500 a R$ 4.700, em espécie, como retorno do negócio, em aproximadamente um mês.

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