Novas indicações de Bolsonaro desenham perfil extremista do novo ministério

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Publicado quarta-feira, 28 de novembro de 2018 as 14:55, por: CdB

Feliciano, pastor da Catedral do Avivamento, uma igreja neopentecostal ligada à Assembleia de Deus, já foi acusado de estupro pela jornalista Patrícia Lelis.

 

Por Redação – de Brasília

 

Deputado e pastor evangélico, radical na crítica a pautas específicas na relação dos direitos humanos, Marco Feliciano (Podemos-SP) foi indicado pela bancada religiosa para comandar o Ministério da Cidadania, no futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL). A pasta, que ainda será criada, deverá abrigar as instâncias de governo estabelecidas para Direitos Humanos, Cultura, Esportes e Desenvolvimento Social.

O pastor Marco Feliciano foi acusado de estuprar uma jornalista
O pastor Marco Feliciano foi acusado de estuprar uma jornalista

Pastor da Catedral do Avivamento, uma igreja neopentecostal ligada à Assembleia de Deus, Feliciano já foi acusado de estupro pela jornalista Patrícia Lelis. Ela frequentava a mesma igreja do deputado e foi alvo de investidas sexuais do parlamentar.

O chefe de gabinete do deputado federal, Talma Bauer, chegou a ser preso por sequestrar a jovem e forçá-la a gravar vídeos defendendo o deputado, para desmentir a denúncia. Marco Feliciano também ficou conhecido por suas declarações racistas, homofóbicas e misóginas sendo, inclusive, processado pelo músico Caetano Veloso por injúria e difamação após divulgar conteúdo ofensivo contra ele nas redes sociais.

Bolsa família

Na semana passada, a bancada evangélica havia vetado o nome do educador Mozart Neves Ramos para o Ministério da Educação alegando que ele era contra a implantação do projeto Escola sem Partido, uma das bandeiras de campanha de Bolsonaro.

A bancada evangélica e a delegação de Bolsonaro se encontraram na tarde passada, por aproximadamente uma hora, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília e pediu a indicação de um nome para o ministério, as avisou: “Não queremos réu”, afirmou.

Um dos programas mais cobiçados do novo ministério é o Bolsa Família, criado pelo governo Lula e que beneficia mais de 13,5 milhões de famílias.

Novos indicados

Além da bancada evangélica, Bolsonaro tem reforçado a presença militar na composição da equipe de governo. Após a nomeação do general Carlos Alberto dos Santos Cruz para lidar com o Congresso, o presidente eleito escalou outro general, desta vez, para cuidar da mídia. O general da reserva Floriano Peixoto Vieira Neto deverá gerir a Secretaria de Comunicação Social (Secom).

Vieira Neto cuidará das relações com a mídia e dos contratos de publicidade do governo. Na mesma entrevista, Bolsonaro disse que a senadora Ana Amélia (PP-RS), que foi candidata a vice-presidente na chapa de Alckmin, poderá ser a porta-voz da nova administração.

A senadora, conhecida como “Ana do Relho” por haver defendido as agressões à caravana de Lula no Rio Grande do Sul, inclusive com ataques utilizando relhos; nas planilhas de doações da Odebrecht para campanhas eleitorais com uso de caixa 2, ela era cognominada como “Véia”.

— Excelente pessoa. Se for possível, nós a aproveitaremos, ou melhor, a convidaremos — afirmou Bolsonaro sobre a senadora na entrevista.

Mídias sociais

A Secom ficará subordinada à Secretaria-Geral da Presidência, que será comandada por Gustavo Bebianno e tem sido uma das áreas de disputadas no novo governo. A disputa pelo órgão levou a uma queda de braço entre Bebianno e Carlos Bolsonaro, vereador no Rio e um dos filhos do presidente eleito, que coordenou a campanha nas mídias sociais.

Hoje, a área de comunicação está vinculada à Secretaria Geral e, depois de idas e vindas para outros lugares do Planalto, na véspera, foi batido o martelo que permanecerá onde está. Por conta das disputas, na semana passada, Carlos deixou Brasília anunciando que estava se afastando da sua atuação neste setor.

Apesar das polêmicas, Bolsonaro ainda quer convencer o filho, de alguma forma, mesmo que no Rio de Janeiro, a continuar ajudando no comando das postagens das redes sociais. Por isso mesmo, o desenho não está fechado. O governo quer reduzir o tamanho da Secom e focar os trabalhos na área digital.

Pente-fino

Bebianno afirmou a jornalistas que o general Floriano deverá promover “um pente-fino” em possíveis fraudes em contratos da Secretaria da Comunicação Social da Presidência.

— Ele é acima de qualquer suspeita, ele tem esta função executiva — afirmou Bebianno.

O general Floriano Peixoto, que também comandou missão do Brasil no Haiti – assim como Carlos Alberto Santos Cruz, que vai chefiar a Secretaria de Governo –, já integra a equipe de transição e ajudou nos estudos da área de Comunicação.

Quando estava na ativa, o general integrou a equipe do Centro de Comunicação Social do Exército.

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