Novo patamar nos preços do petróleo atinge em cheio o caixa da Petrobras

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Publicado terça-feira, 17 de março de 2020 as 18:30, por: CdB

O petróleo Brent recuava US$ 0,27, ou 0,9%, a US$ 29,78 por barril, às 9h17 (horário de Brasília). O petróleo dos Estados Unidos avançava US$ 0,15, ou 0,52%, a US$ 28,85 por barril.

Por Redação, com Reuters – do Rio de Janeiro

Os preços do petróleo Brent recuavam nesta terça-feira à medida que a epidemia global de coronavírus impacta a demanda e após a Arábia Saudita ter elevado a produção para nível recorde em meio a uma disputa por mercado com a Rússia. A nova cotação da commodity impacta, diretamente, a estatal brasileira.

A prospecção de petróleo está ameaçada, diante os novos preços da commodity, em nível mundial
A prospecção de petróleo está ameaçada, diante os novos preços da commodity, em nível mundial

O petróleo Brent recuava US$ 0,27, ou 0,9%, a US$ 29,78 por barril, às 9h17 (horário de Brasília). O petróleo dos Estados Unidos avançava US$ 0,15, ou 0,52%, a US$ 28,85 por barril. Na véspera o contrato de referência Brent desabou 11,2%, para US$ 30,05 o barril, após tocar os US$ 29,52 por barril, o menor nível desde janeiro de 2016.

— O petróleo fez novas mínimas. Não há nada, nem do lado dos fundamentos e nem novidades técnicas, que possam significar que essa derrocada que temos visto vá parar no curto prazo — disse Tamas Varga, da corretora PVM.

Consumo

Os EUA disseram que vão aproveitar os preços baixos para encher sua Reserva Estratégica de Petróleo, enquanto outros países estão planejando medidas similares. As atenções devem se voltar mais tarde para os dados de estoques nos EUA, em meio a expectativas de alta nos volumes armazenados pela oitava semana consecutiva.

Na Arábia Saudita, as exportações de petróleo devem aumentar nos próximos meses para acima de 10 milhões de barris por dia, à medida que o reino planeja usar mais gás para obter energia ao invés de queimar petróleo, disse o Ministério da Energia da Arábia Saudita nesta terça-feira.

“A Arábia Saudita utilizará o gás produzido pela planta de Fadhili para compensar cerca de 250.000 barris por dia de consumo doméstico de petróleo, o que permitirá ao reino aumentar suas exportações de petróleo nos próximos meses para que excedam 10 milhões de bpd”, afirmou ministério em um comunicado.

Impacto no Brasil

A derrocada dos preços internacionais do petróleo poderá levar a um corte de US$ 300 milhões a US$ 600 milhões em investimentos previstos para exploração de petróleo no Brasil em 2020, além de adiar ou até mesmo impedir o tão esperado desenvolvimento de novas fronteiras no país, disseram especialistas da Wood Mackenzie à agência inglesa de notícias Reuters.

Antes do colapso dos preços, a renomada consultoria previa para este ano aportes de US$ 3 bilhões no Brasil em exploração, considerando principalmente planos da Petrobras, da anglo-holandesa Shell, da norueguesa Equinor, dentre outras. Em seu plano de negócios, a petroleira brasileira apontou média de investimentos em exploração de US$ 2,3 bilhões por ano entre 2020 e 2024.

Para os cálculos, a Wood Mackenzie considera uma redução de até 20% de aportes previstos pela Petrobras para exploração neste ano, além de um corte percentual similar em investimentos de outras petroleiras, caso os preços do petróleo fiquem por volta dos US$ 35 por barril.

Rússia x Sauditas

Os valores do petróleo Brent, referência global, caíram mais de 50% neste ano, fechando em torno de US$ 30 por barril, na véspera, com impactos de uma guerra de preços entre Rússia e Arábia Saudita somando-se aos temores de menor demanda gerados pelo novo coronavírus.

— Acho que todo mundo… está fazendo uma avaliação do que pode fazer para economizar dinheiro, a nossa expectativa é de corte de capex — afirmou à Reuters Marcelo de Assis, chefe de pesquisa da América Latina na área de upstream da Wood Mackenzie.

O especialista ressaltou que atividades exploratórias, como sísmicas e perfurações, caso contratadas, têm mais chances de serem realizadas. Mas a tendência, segundo ele, é que as empresas prefiram gerar caixa do que se comprometer com novos compromissos.

Sem mudanças

Atualmente, segundo a consultoria, empresas como Petrobras e Shell —as duas maiores produtoras do Brasil— já têm contratos de perfuração ou de outras atividades exploratórias em curso, que podem ser mantidos.

— A Petrobras tinha um programa bastante extenso para este ano de exploração no pré-sal, vamos ver se realmente será efetivado — acrescentou Assis.

Ambas as empresas não responderam imediatamente a pedidos de comentários.

Já a norte-americana Exxon e a francesa Total ainda aguardam licenças importantes para perfuração, o que facilitaria a postergação de atividades, na avaliação da consultoria. Em resposta à agência, ambas as empresas afirmaram que, até o momento, não houve mudanças nos planos para o país.

Exploração

A francesa acrescentou que entrou com pedido de licença em fevereiro junto ao Ibama para perfurar o bloco C-M-541, na Bacia de Campos, arrematado em leilão no ano passado por um bônus de assinatura de US$ 4,029 bilhões. Além disso, tem em curso uma campanha de perfuração de quatro poços desde junho de 2019 no campo de Lapa, na Bacia de Santos, com sonda já contratada.

A norueguesa Equinor, para a Wood Mackenzie, provavelmente deverá manter atividades importantes para o desenvolvimento da importante descoberta de Carcará, cuja declaração de comercialidade já foi submetida à agência reguladora ANP.

À Reuters, a Equinor afirmou que está seguindo seus planos e “atualmente não há mudanças no projeto de Carcará ou no programa de exploração”.

A possível deterioração do cenário para investimentos em exploração vem após o Brasil ter obtido sucesso em anos anteriores concedendo grandes e promissoras áreas do pré-sal para a exploração e, com isso, arrecadando bilhões de dólares em bônus de assinatura.

Preço do barril

Mas tais áreas ainda contêm riscos exploratórios não mitigados e um futuro êxito na produtividade delas não está garantido, ressaltaram especialistas da Wood Mackenzie.
Juliana Miguez, gerente de pesquisa da América Latina na área de upstream, ressaltou que duas grandes áreas concedidas recentemente, Peroba (operado pela Petrobras) e Alto de Cabo Frio Oeste (operado pela Shell), apresentaram resultados não operacionais após as primeiras perfurações.

— Já havia um cenário de incerteza e agora é agravado pelo preço do barril — disse Miguez.

Outra consequência negativa do recuo de preços do petróleo poderá ser um adiamento ainda maior da exploração e desenvolvimento de novas fronteiras no Brasil, algo que governantes e indústria no Brasil vêm buscando há muitos anos, em regiões como na margem equatorial.

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