Novo vazamento mostra parcialidade da Lava Jato contra Lula

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Publicado segunda-feira, 10 de agosto de 2020 as 15:53, por: CdB

“A força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba recebeu uma investigação sigilosa sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de fazer um pedido formal para o compartilhamento dela”, diz a agência. O caso ocorreu nos preparativos para a operação, em 2016.

Por Redação – de São Paulo

Alvo prioritário da Operação Lava Jato, então coordenada por Sérgio Moro — o ex-juiz que se tornou ministro da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) —, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistou, nesta segunda-feira, mais um argumento para desmontar o esquema jurídico-político e midiático que o afastou das urnas, em 2018. Novas mensagens vazadas no escândalo conhecido como Vaza Jato, liderado pela agência norte-americana de notícias The Intercept Brasil e o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), mostram mais um desmando por parte dos promotores liderados por Moro.

O procurador Deltan Dallagnol vazava notícias para o site O Antagonista, revelam mensagens trocadas entre ele e o jornalista Diogo Mainardi
O procurador Deltan Dallagnol vazava notícias para o site O Antagonista, revelam mensagens trocadas entre ele e o jornalista Diogo Mainardi

“A força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba recebeu uma investigação sigilosa sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de fazer um pedido formal para o compartilhamento dela. O caso ocorreu durante os preparativos para a operação que obrigou o petista a prestar depoimento, em 2016. Semanas antes da condução coercitiva de Lula, os procuradores de Curitiba obtiveram a cópia de uma apuração que, oficialmente, só seria compartilhada um mês depois por colegas do Ministério Público Federal no Distrito Federal”, afirma a reportagem do jornalista Rafael Neves, na Intercept Brasil.

“A apuração sigilosa era um Procedimento Investigatório Criminal, ou PIC, instrumento usado pelo Ministério Público Federal para iniciar investigações preliminares sem precisar de autorização da justiça”, acrescenta a reportagem.

Conveniência

A matéria registra, ainda, que desde ter sido obrigada a entregar seu banco de dados à Procuradoria-Geral da República (PGR), no início de julho, a força-tarefa afirma que “o compartilhamento de PICs é indevido e que deveria ser pontual, feito apenas mediante justificativa cabível e pedido formal” e que “o compartilhamento atualmente está suspenso por decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.”

Quando o alvo era o ex-presidente Lula, todavia, não havia qualquer respeito ao regimento legal. 

“Quando lhe foi conveniente, porém, a equipe liderada por Deltan Dallagnol se aproveitou da falta de normas claras sobre compartilhamento de provas no Ministério Público para ‘dar uma olhadinha’ em investigações de colegas”, aponta o jornalista Rafael Neves. “Na prática, isso quer dizer que os procuradores de Curitiba não julgaram necessários os ritos e formalidades que agora exigem da PGR”, acrescenta.

Crítica inédita

Em um desses PICs, aberto por procuradores do MPF em Brasília, apurava-se um possível tráfico de influência de Lula para ajudar a empreiteira Odebrecht a fechar contratos com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES, no exterior.

“As mensagens também sugerem que a Lava Jato chegou a se perder – mais de uma vez – em meio aos procedimentos de investigação que tinha em andamento. Aras tem alegado que a Lava Jato acumula dados de 38 mil pessoas e sugere que boa parte deles se originam de um excesso de investigações paralelas abertas em Curitiba. Não é uma crítica inédita – já foi feita, em 2017, pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal”, acrescenta a reportagem.

Ainda em 2015, no segundo ano da operação, tal excesso foi notado pelos próprios procuradores, revelam as conversas no Telegram. Em um dos diálogos vazados nesta rede social, o procurador Roberson Pozzobon aponta que uma das missões da operação era destruir a Odebrecht. A empreiteira era a maior empresa de engenharia do Brasil, com mais de de 200 mil funcionários, dentre os quais 150 mil foram demitidos desde o início da Operação.

‘Olhadinha’

Num diálogo de 7 de fevereiro, Pozzobon fala sobre a necessidade de “expor as entranhas dessa Odebrecht”, empresa que vinha ocupando espaços na África, na América Latina e até mesmo nos Estados Unidos, onde venceu concorrência para construir o aeroporto de Miami, deslocando concorrentes internacionais.

Acompanhe o diálogo no Telegram, entre Pozzobon e outro procurador, Júlio Noronha:

Roberson Pozzobon – 14:32:41 – Exatamente. Tvz pudéssemos dar uma “olhadinha” antes. Pedir para os colegas mandarem informalmente uma cópia integral digitalizada.

Pozzobon – 14:35:08 – To lendo um relatório paralelo da Cpi do BNDES. Acho que teremos muito coisa para trabalhar lá. É uma pouca vergonha. Tão ou mais revoltante que a Petrobras.

Pozzobon – 14:35:08 – E digo mais. Nada melhor para nós, LJ, minimizarmos ao máximo o risco de perder o caso por competência, do que entrarmos com CNO [Construtora Norberto Odebrecht] e LULA. Se entrarmos fraco, ou com um caso satelitário, é capaz de não nos deixarem trabalhar.

Júlio Noronha – 14:37:40 – Concordo!

Pozzobon – 14:37:48 – aí já sabem, colocou a perninha da LJ [Lava Jato] lá com força, teremos ótimos trabalhos para mais uma década. Rsrsrs

Pozzobon – 14:38:23 – Temos que expor as entranhas dessa ODEBRECHT. Mostrar que é a pirata das piratas. Demonstrar que espoliou o Brasil desde sua origem.

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