Novos áudios: Bolsonaro diz que demissão é “mudança normal”

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Publicado segunda-feira, 28 de outubro de 2019 as 12:30, por: CdB

Nos áudios, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro mostra preocupação com a investigação do Ministério Público do Rio contra ele.

Por Redação, com Agências de Notícias – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro comentou nesta segunda-feira sobre os áudios do ex-assessor Fabricio Queiroz publicados no diário conservador paulista, Folha de S. Paulo, no domingo. À jornalistas Bolsonaro disse que os funcionários sabiam das demissões e que elas foram feitas “para exatamente evitar problemas”.

À jornalistas Bolsonaro disse que os funcionários sabiam das demissões e que elas foram feitas “para exatamente evitar problemas”
À jornalistas Bolsonaro disse que os funcionários sabiam das demissões e que elas foram feitas “para exatamente evitar problemas” Foto: Mateus Bonomi/AGIF

– Agora, essa, especificamente, a Cileide, ela se formou em enfermagem tem dois anos aproximadamente, fez pós-graduação e ela sabia que não ia continuar conosco porque, eu eleito, o Flávio eleito, o eleito viria para Brasília. Se bem que ela estava no gabinete do Carlos. Mas é mudança normal, isso aí não tem nada para espantar – disse Bolsonaro.

Nos áudios, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro mostra preocupação com a investigação do Ministério Público do Rio contra ele.

– É o que eu falo, o cara lá está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajudar aí. Ver e tal. É só porrada. O MP [Ministério Público] tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir – diz Queiroz num áudio teria sido enviado pelo WhatsApp em julho.

O diário conservador paulistano afirma que não possível determinar quem seria a pessoa que estaria sendo protegida, mas segundo um diário conservador carioca, que teve acesso ao áudio completo, Queiroz estaria falando em Adélio Bispo, autor de um atentado a faca contra Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral. Apesar de a investigação da Polícia Federal ter concluído que Adélio agiu sozinho, os áudios indicariam que o ex-assessor de Flávio acredita que ele teria sido contrato por alguém e estaria sendo protegido.

Amigo pessoal de Jair Bolsonaro, Queiroz ocupou por mais de uma década um cargo de assessor no gabinete do filho mais velho do presidente, Flávio Bolsonaro, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele foi exonerado em 16 de outubro do ano passado, pouco depois de Flávio ter sido eleito senador e Jair Bolsonaro ter passado para o segundo turno do pleito presidencial.

A reportagem mostra que Queiroz também expressa o desejo de voltar ao PSL, partido de Bolsonaro, para ajudar o presidente a “lapidar a bagunça” no diretório regional do partido no Rio de Janeiro, que atualmente é comando por Flávio.

– Torcendo para essa pica passar. Vamos ver no que vai dar isso aí para voltar a trabalhar, que já estou agoniado. Estou agoniado de estar com esse problema todo aí, atrasando a minha vida e da minha família – afirma.

Segundo o jornal, os áudios foram enviados pelo WhatsApp a um interlocutor não identificado, e a pessoa que repassou as gravações à Folha pediu para ter o nome não divulgado.

Em nota, o advogado de Queiroz, Paulo Klein, negou qualquer crime por parte de seu cliente. Sobre o caso de Cileide, Klein disse que era preciso ter acesso à conversa completa.

“A transcrição parcial e clandestina retira o contexto em que as questões foram colocadas. Poderá induzir o público em erro, fazendo com que a convicção deste se forme através de frases soltas e sem a devida contextualização”, afirmou Klein.

À Folha de S. Paulo, o advogado de Flávio, Frederick Wassef, disse que não teve acesso aos áudios na íntegra, além de não saber as origens e período das gravações e, por isso, não iria se manifestar.

– Politicamente, eu só posso ir para partido. Trabalha isso aí com o chefe aí. Passando essa ventania aí, ficamos eu e você de frente. A gente nunca vai trair o cara. Ele sabe disso. E a gente blinda, a gente blinda legal essa porra aí. Espertalhão não vai se criar com a gente – ressalta.

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