Número de brasileiros abaixo da linha da pobreza atinge maior patamar desde 2012

Arquivado em: Negócios, Últimas Notícias
Publicado quarta-feira, 6 de novembro de 2019 as 11:06, por: CdB

Em 2018, o rendimento médio domiciliar per capita das pessoas de cor ou raça preta ou parda (R$ 934) era quase metade do rendimento das pessoas de cor ou raça branca (R$ 1.846).

Por Redação – do Rio de Janeiro

Em 2018, a proporção de pessoas abaixo da linha de extrema pobreza do Banco Mundial (rendimentos inferiores a US$ 1,90 PPC por dia), manteve-se no maior patamar da série da PNAD Contínua, iniciada em 2012: 6,5% da população brasileira, ou 13,5 milhões de pessoas. As informações da Síntese de Indicadores Sociais (SIS) foram divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Os percentuais de pobreza de todos os estados do Norte e Nordeste superavam a média nacional
Os percentuais de pobreza de todos os estados do Norte e Nordeste superavam a média nacional

Em 2018, considerando-se os indicadores do Banco Mundial, 25,3% da população brasileira tinha rendimentos inferiores a US$ 5,50 PPC (Paridade de Poder de Compra) por dia, o equivalente a R$ 420,00 mensais. Esse percentual equivale a cerca de 52,5 milhões de pessoas permanecendo abaixo dessa linha de pobreza, das quais 72,7% eram pretas ou pardas. De 2017 para 2018, como mostra a série histórica a seguir, houve redução de 0,7 p.p. no percentual de pessoas abaixo da linha de pobreza, o equivalente a 1,1 milhão de pessoas saindo dessa condição.

A redução da pobreza verificada em 2018 se concentrou no Sudeste (cerca de 700 mil pessoas). Quase metade (47,0%) dos brasileiros abaixo da linha de pobreza em 2018 estava no Nordeste. O Maranhão tinha o maior percentual de pessoas com rendimento abaixo da linha (53,0%) e Santa Catarina, o menor (8,0%). Os percentuais de pobreza de todos os estados do Norte e Nordeste superavam a média nacional.

A pobreza também implica em menor acesso aos serviços básicos: 56,2% das pessoas abaixo da linha de pobreza (US$ 5,50 PPC / dia) moravam em domicílios sem esgoto sanitário, enquanto a média da população sem acesso a esse serviço era de 37,2%.

A SIS mostra que o país tem cerca de 10,9 milhões de jovens (15 a 29 anos) que não estudavam e não estavam ocupados, o equivalente a 23% das pessoas nesse grupo etário, percentual que coloca o Brasil na quinta pior colocação entre 41 países analisados pelo relatório anual da OCDE, cuja média, para esse indicador, é 13,2%.

Em 2018, a taxa de desocupação da população preta ou parda era de 14,1%, contra 9,5% para a população branca. Entre a população ocupada de cor ou raça branca, 34,6% estavam em ocupações informais, enquanto 47,3% da preta ou parda se encontrava nesta situação. Em 2018, as pessoas pretas ou pardas representavam 53,7% dos ocupados, mas 66% dos subocupados por insuficiência de horas trabalhadas.

Rendimento domiciliar per capita dos brancos duas vezes o dos pretos ou pardos

Em 2018, o rendimento médio domiciliar per capita das pessoas de cor ou raça preta ou parda (R$ 934) era quase metade do rendimento das pessoas de cor ou raça branca (R$ 1.846). Entre 2012 e 2018, houve ligeira redução dessa diferença, que não foi capaz de superar essa histórica desigualdade de rendimentos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *