O mau exemplo da Suécia, onde mais se morre de coronavírus

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Publicado quarta-feira, 27 de maio de 2020 as 16:52, por: CdB

A Suécia é citada pelo governo brasileiro e pelos fanáticos evangélicos, em fake news que circulam pela Internet, como o exemplo de país sem quarentena com poucos infectados pelo coronavírus e poucos mortos. Grossa mentira. A Suécia com 4.220 mortos e 35.088 hospitalizados está entre os países com maior número de contaminações e, proporcionalmente ao seu número de habitantes, é o país com maior número de mortos em todo o mundo, mais de 400 mortes por milhão de habitantes.

Rui Martins, correspondente na Suíça:

Parque Ralambshov em Estocolmo
Na Suécia não há quarentena e a maioria dos idosos morrem sem tratamento

Ainda há pior que esse números de mortes. Uma comissão de inquérito deverá ser proposta pela oposição ao atual governo social-democrata, pois são muitas as denúncias de terem sido deixados de lado os idosos. Existem mesmo denúncias de prática da eutanásia nos asilos de velhos, onde a taxa de mortos é de 50%. O primeiro-ministro, Stefan Loefven se mostrou favorável a essa comissão de inquérito.

O correspondente do jornal suíço Le Temps, cita o geriatra Yngve Gustafson, professor universitário, segundo o qual em lugar de cuidar dos idosos com respiradores e perfusões, muitas equipes médicas, ao contrário dos outros países, têm preferido dar simplesmente morfina aos doentes, do que levá-los aos hospitais, mesmo havendo lugares. Assim, muitos idosos morreram quando poderiam ter sido salvos, ao contrário dos outros países onde não se leva em conta a idade do paciente.

O governo sueco rejeitou a quarentena aplicada pelos países escandinavos vizinhos, Dinamarca, Noruega e Finlândia. a pretexto de querer provocar uma imunização coletiva da população. Embora o governo, tenha mentido à população afirmando ter obtido uma imunização em 30% da população, análises feitas nos últimos dias mostraram ter sido imunizada apenas 7% da população.

O responsável pela Saúde é o epidemiologista Anders Tegnell, cuma impopularidade aumentou nestes dias, chegando mesmo a receber ameaça de morte. Grupos de médicos denunciam como catastrófica a gestão do governo da crise do coronavírus e condenam sua decisão de aplicar uma política oposta à de seus vizinhos.

De 9 a 12 vezes mais mortes que nos países vizinhos

Quando comparado a seus vizinhos escandinavos que têm modelos semelhantes de desenvolvimento social e adotaram medidas mais estritas de isolamento, a diferença salta aos olhos: na Dinamarca, são 10 mil casos e 537 mortes. Na Finlândia, 6 mil casos e 293 mortes. Na Noruega, que já começa a retomar as atividades, 8 mil infecções e 232 mortes. Ou seja, a Suécia tem 9 a 12 vezes mais mortes pelo coronavírus que os seus vizinhos escandinavos.

O resultado poderá ser agora um confinamento da Suécia, decretado pelos países vizinhos, a fim de não serem contaminados pelos suecos no nomento em que forem retornando à normalidade. Ao contrário da maior parte dos países, a Suécia vem mantendo abertos estabelecimentos comerciais, escolas, restaurantes, cafés e casas noturnas, ao mesmo tempo em que recomenda ações individuais de proteção, como o distanciamento de “um braço” entre as pessoas em locais fechados e dois metros nas ruas.

Essa política, que provocou uma número desnecessário de mortos, não evitou uma grave crise econômica comparável à dos países europeus. Situação que não parece ter sensibilizado nem o primeiro-ministro Stefen Loefven e nem o responsável pela Saúde, Anders Tegnell, lembrando nisso a falta de reação do presidente Bolsonaro, diante do crescente número de mortes no Brasil.

Essa fracassada estratégia suéca de imunidade coletiva demonstra como o número de mortos no Brasil poderia ser ainda maior, se não houvesse a quarentena decretada nos Estados mais populosos por seus governadores.

Rui Martins, correspondente do Corrêio do Brasil na Suíça

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