O presidente Bolsonaro foi o maior derrotado nessas eleições, concordam analistas

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Publicado segunda-feira, 30 de novembro de 2020 as 13:54, por: CdB

Apenas quatro dos 16 candidatos a prefeito apoiados por Bolsonaro foram eleitos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já haviam apontado que somente um dos 78 candidatos com o sobrenome “Bolsonaro” nas urnas foi eleito: Carlos Bolsonaro, no Rio de Janeiro.

Por Redação – de São Luís e São Paulo

Governador do Maranhão, o ex-desembargador Flávio Dino (PCdoB) afirmou que o maior derrotado nas eleições municipais foi Jair Bolsonaro. Dino, no entanto, ressalta que a direita venceu a esquerda.

Os olhos injetados de ódio não deixam dúvidas da pressão a que Bolsonaro tem sido submetido pela esmagadora maioria dos brasileiros
O discurso de ódio de Bolsonaro foi rejeitado pela maioria esmagadora dos eleitores brasileiros, nestas eleições

— Se olharmos nacionalmente, não há dúvida que a direita venceu a esquerda. Quando nós matizamos isso, olhamos as várias nuances que há no interior de cada campo político, vamos encontrar que o bolsonarismo, a antipolítica, coisas meio caricatas, anedóticas, que prevaleceram em 2018, não tiveram muito espaço em 2020. Diria que essa face da direita brasileira, a face mais selvagem, bruta, violenta, anedótica, saiu derrotada. Como o Bolsonaro é a expressão disso, não há dúvida que saiu derrotado — disse, a jornalistas.

O governador disse que espera, ainda, um “processo de decadência” do governo Bolsonaro até 2022.

— Como acho que o governo vai muito mal, infelizmente, porque como brasileiro torço para que as coisas deem certo, mas acho um governo muito ruim, e vai piorar. É um governo desacertado, desorganizado, desorientado. Não existe gestão em nenhuma área, muito menos na econômica. Por isso, imagino que a força de atração do Bolsonaro é declinante, ou seja, 2020, ao meu ver, parte para um processo de decadência que irá até 2022 — acrescentou.

Derrotas

De acordo com as estatísticas, apenas quatro dos 16 candidatos a prefeito apoiados por Bolsonaro foram eleitos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já haviam apontado, antes do segundo turno, que somente um dos 78 candidatos com o sobrenome “Bolsonaro” nas urnas foi eleito: Carlos Bolsonaro, reeleito na Câmara Municipal do Rio. O pai do parlamentar apoiou 45 candidatos a vereador, que apareceram no “horário eleitoral gratuito” dele, e apenas sete conquistaram uma vaga no legislativo de suas cidades.

Outro exemplo do declínio de Bolsonaro, segundo Dino, foi a derrota do prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos). Ele não conseguiu se reeleger, sendo ultrapassado por Eduardo Paes (DEM). Em São Paulo, o deputado Celso Russomanno (Republicanos) também não passou do primeiro turno, apesar do apoio declarado do mandatário neofascista.

São duas derrotas simbólicas do bolsonarismo no embate eleitoral que se encerrou neste domingo, apesar de que no Palácio do Planalto auxiliares do presidente minimizarem o revés político, sob o argumento de que o chefe do Executivo não participou diretamente das campanhas.

Neste segundo turno, Bolsonaro viu apenas Tião Bocalom (PP), em Rio Branco (AC), e Roberto Naves (PP), em Anápolis (GO), serem eleitos. Outros candidatos para os quais ele pediu votos não tiveram bom desempenho nas urnas. Também apadrinhados pelo presidente, Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza, e Delegado Eguchi (Patriota), em Belém, foram derrotados.

Em Belo Horizonte, Bruno Engler (PRTB) perdeu ainda no primeiro turno, tal como Russomanno.

Paranóia

Bolsonaro voltou a criticar, na noite passada, as urnas eletrônicas. Sem qualquer prova, ele insinuou que o atual sistema não é confiável e defendeu a apuração pública dos votos.

— Eu, como presidente da República, quero voto impresso já — disparou.

Logo após votar, na Escola Municipal Rosa da Fonseca, na Vila Militar, Zona Oeste do Rio, Bolsonaro disse estar conversando com líderes da Câmara e do Senado sobre a necessidade de retorno do voto impresso. Para ele, as mudanças dependem somente de um acordo entre o Executivo e o Legislativo.

Para o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, no entanto, a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera o Brasil como dono do “mais ágil e seguro sistema de apuração das Américas”.

— Só posso explicar (funcionamento de urnas eletrônicas) para quem quer entender. Para quem não quer entender, não há fármaco jurídico possível. O presidente da República tem liberdade para exprimir sua opinião. Sou juiz, não posso me impressionar com retórica política. Respeitando a opinião do presidente, penso que voto impresso traria grande tumulto a processo eleitoral — disse o ministro ao comemorar a apuração sem grandes incidentes no segundo turno.

O ‘Centrão’

As urnas, no entanto, sufragaram as legendas que integram o chamado ‘Centrão’, bloco partidário na Câmara dos Deputados, e esse campo político da direita passará a administrar mais de 2,6 mil municípios a partir de 2021, o equivalente a 47% das cidades brasileiras. Essas cidades têm 78 milhões de moradores, quantidade que representa 40% da população brasileira aproximadamente.

Entre os 11 partidos que formam o grupo, PP, PSD e PL alcançaram o maior número de prefeituras. O Partido Progressista ganhou em 685 municípios, o PSD em 655 e o PL, 345, de acordo com informação publicada pelo portal G1.

No grupo do ‘Centrão’, não foram considerados o DEM e o MDB e DEM, que anunciaram a saída do bloco em julho. Continuaram na base de apoio a Jair Bolsonaro PP, PSD, PL, PTB, Republicanos, Pros, Cidadania, Patriota, PSC, Solidariedade e Avante.