Ofensa de Bolsonaro repercute na ONU

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Publicado quinta-feira, 5 de setembro de 2019 as 12:49, por: CdB

Foi um acontecimento inédito na história da Organização das Nações Unidas, que provocou surpresa e espanto ao se saber que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro tinha feito uma declaração ofendendo a ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, agora dirigindo a Comissão de Direitos Humanos, e defendido a antiga ditadura chilena do general Augusto Pinochet.

Rui Martins, de Genebra:
O presidente também sofreu perda de apoio entre os mais ricos, aqueles com renda mensal acima de 10 salários mínimos
Ofensa de Bolsonaro à ONU pode provocar reações perigosas

Ainda hoje é esse o tema principal nos cafés e corredores da ONU. Entende-se. Mesmo nos momentos mais críticos entre contendas de países reunidos em Genebra, na ONU, nunca foram esquecidas as regras protocolares e jamais houve ofensas de ordem pessoal e muito menos envolvendo familiares.

O presidente Jair Bolsonaro infringiu as regras e tradições protocolares, dentro da mais importante organização mundial, a ONU. Foi uma indecência, comentam alguns jornais, ao se reportar à maneira como Bolsonaro se referiu ao pai da ex-presidente chilena, vítima do golpe de Pinochet, tendo morrido aos 50 anos na prisão, onde tinha sido torturado, reabrindo uma ferida.

O próprio atual presidente chileno, que não é socialista mas de direita, fez um pronunciamento, em Santiago, logo trazido a Genebra, no qual afirmava não caucionar as declarações de Bolsonaro. O presidente Sebastian Pinera declarou textualmente: “Não participo, de forma alguma, da alusão feita pelo presidente Bolsonaro relacionada com uma ex-presidente do Chile e, em particular, sobre uma questão tão dolorosa como a morte de seu pai”.

Esse elogio de um ditador, responsável por tantos assassinatos e torturas, condenado na época por todos os países e pela própria ONU, poderá provocar reações por parte de alguns países, mesmo porque Bolsonaro deverá abrir, no próximo dia 24, a Assembléia Mundial da ONU, em Nova Iorque.

Como se não bastasse o insulto, tripudiando sobre um assassinato ocorrido há mais de 40 anos, Bolsonaro acrescentou, se referindo à Michelle Bachelet, que deixou a presidência do Chile no ano passado, “quando as pessoas não têm mais o que fazer, vão ocupar um cargo no Direitos Humanos da ONU”.  Com essa frase acaboi incluindo a ONU na sua ofensa e no seu desrespeito.

Por que tanta raiva e ódio de Bolsonaro contra Bachelet?

Foram algumas observações por ela feitas referentes à situação atual no Brasil “nos últimos meses observamos, disse ela, um encolhimento do espaço cívico e democrático, ataques contra defensores dos direitos humanos  e restrições impostas ao trabalho da sociedade civil”. Enquanto aumentou, prosseguiu, o número de pessoas mortas por policiais, principalmente negros e habitantes das favelas.

Ela também lembrou da Amazônia e seus milhares de incêndios provocados voluntariamente, com o objetivo de darem lugar às plantações e pasto para gado.

Ao que tudo indica, a fim de compensar a perda de confiança dos últimos dias, o presidente Bolsonaro decidiu, como outros presidente populistas já fizeram, utilizar a sempre útil bandeira nacionalista. Depois da França, de Macron, agora é a chilena Bachelet o alvo dos ataques, e por tabela a ONU, dirigida pelo português Antonio Guterres. Essa manobra pode dar bons resultados no início, porém, geralmente se torna fatal em termos econômicos, internacionais e diplomáticos.

Os jornais europeus publicam que Bolsonaro pediu aos seus seguidores para se vestirem de verde e amarelo no sábado, Festa da Independência, enquanto a oposição pede para se vestirem de preto em sinal de luto por seu governo.

Por Rui Martins, de Genebra

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