OMS faz apelo por US$ 15 milhões em auxílio ao Líbano, após explosão

Arquivado em: Destaque do Dia, Europa, Mundo, Últimas Notícias
Publicado sexta-feira, 7 de agosto de 2020 as 12:48, por: CdB

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um apelo por US$ 15 milhões para emergências sanitárias no Líbano, após a explosão no porto de Beirute, em meio a uma crise econômica e crescimento nos casos de coronavírus no país.

Por Redação, com Reuters – do Cairo/Beirute

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez um apelo por US$ 15 milhões para emergências sanitárias no Líbano, após a explosão no porto de Beirute, em meio a uma crise econômica e crescimento nos casos de coronavírus no país.

Pessoas são vistas em meio a entulho e carros danificados após explosão em Beirute
Pessoas são vistas em meio a entulho e carros danificados após explosão em Beirute

A explosão, que matou mais de 150 pessoas e feriu outras 5 mil, também destruiu 17 contêineres com suprimentos médicos da OMS, incluindo equipamentos pessoais de proteção, afirmou o escritório regional da agência para o Oriente Médio, em comunicado, no fim da quinta-feira.

Cinco hospitais na região afetada pela explosão de terça-feira estão funcionando parcialmente ou não estão funcionando, e os primeiros relatos indicam que muitos centros de saúde e instalações de cuidados primários estão danificados ou fora de ação, disse.

Até 300 mil pessoas tiveram que deixar suas moradias e precisam de comida e abrigo, o que também “representa um risco de aceleração da disseminação de covid-19 e surtos de outras doenças”, disse a representante da OMS no Líbano, Iman Shankiti.

A OMS afirmou que, junto com a Universidade Americana de Beirute, planeja uma avaliação ambiental do impacto da fumaça causada pela explosão de nitrato de amônio.

Líbano enfrenta desafio alimentar

A explosão ocorrida nesta semana em Beirute destruiu o único grande silo de grãos do Líbano, e planos para construir outro, em Trípoli, segundo maior porto do país, foram arquivados anos atrás por falta de recursos, disseram à Reuters a agência de Alimentação e Agricultura da Organização das Nações Unidas, o diretor do porto de Trípoli e especialista regional de grãos.

A destruição da estrutura com capacidade para 120 mil toneladas e a incapacitação do porto, principal porta de entrada para importações de alimentos, farão com que os consumidores precisem depender de depósitos menores e privados para suas compras de trigo, aumentando as preocupações sobre escassez de comida.

O Líbano, nação com estimadas 6 milhões de pessoas, importa quase todo o seu trigo.

“Há locais de armazenamento menores no setor privado de moinhos porque eles precisam armazenar o trigo antes de transformá-lo em farinha”, disse o representante da Organização de Alimentos e Agricultura (FAO) no Líbano à agência inglesa de notícias Reuters.

“Em termos de silo de grãos, aquele era o único grande.”

Dúzias de pessoas ainda estão desaparecidas após a explosão de terça-feira no porto, que matou pelo menos 154, feriu outras 5 mil e deixou 250 mil desabrigadas, em um país que já sofre com o derretimento da economia e aumento de casos de coronavírus.

Com os bancos em crise, a moeda em colapso e um dos maiores fardos de dívida do mundo, o ministro da Economia libanês, Raoul Nehme, disse que o Líbano tem “recursos muito limitados” para lidar com o desastre, que alguns estimam que possa custar até US$ 15 bilhões para o país.

A falta de um terminal dedicado aos grãos, um silo ou elevadores em Tríplice ilustra uma abordagem à segurança alimentar que vende o almoço para comprar a janta.

Reflete como o Estado recorreu a planejamentos de emergência em vez de soluções de longo prazo em outras áreas chave, como o falho setor de energia e a bagunçada coleta de lixo, pulando de arremedo em arremedo sem os recursos ou financiamentos adequados desde o fim da guerra civil, entre 1975 e 1990.

– É arriscado, com certeza – disse Hesham Hassanein, consultor regional de grãos sediado no Cairo.

Os moinhos privados do país, por volta de oito no total, precisarão navegar por novas logísticas rapidamente para que a cadeia de fornecimento funcione bem, mesmo depois de alguns deles sofrerem danos na explosão. Isso significa transferir trigo por caminhão para depósitos próximos, no momento em que todo o tráfego para Beirute, não apenas de trigo, também será desviado para Tríplice.

O governo libanês também não manteve uma reserva estratégica de grãos.

– O que acontece é que os moinhos privados guardavam o que não cabe em seus próprios depósitos naquele silo de Beirute e pegavam de lá apenas o que precisavam – explicou Hassanein.

– Era o inventário do país, não uma reserva estratégica, nesse sentido, e era geralmente suficiente para dois meses e meio, três meses de consumo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *