OMS esclarece presidente quanto à transmissibilidade do novo coronavírus

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Publicado terça-feira, 9 de junho de 2020 as 14:44, por: CdB

Segundo o presidente, em sua fala de abertura da reunião do Conselho de Ministros, o “pânico que foi pregado lá atrás pela grande mídia pode agora começar a se dissipar” com as novas informações sobre esse baixo risco de transmissão.

Por Redação, com agências internacionais – de Brasília e Bruxelas

O presidente Jair Bolsonaro disse, nesta terça-feira, que espera ver o país voltar à normalidade de antes da epidemia de coronavírus depois que a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que pacientes assintomáticos da Covid-19 parecem ter risco muito baixo de transmitir a doença.

Chefe do programa de emergências da entidade, a pesquisadora Maria van Kerkhove fez uma declaração imprecisa
Chefe do programa de emergências da entidade, a pesquisadora Maria van Kerkhove fez uma declaração imprecisa

Segundo o presidente, em sua fala de abertura da reunião do Conselho de Ministros, o “pânico que foi pregado lá atrás pela grande mídia pode agora começar a se dissipar” com as novas informações sobre esse baixo risco de transmissão.

A OMS, na verdade, informou que “parece haver” baixa transmissibilidade de assintomáticos e citou por enquanto apenas um estudo de pequeno porte feito pela China. A chefe do programa de emergências da entidade, Maria van Kerkhove, ressaltou depois, em sua conta no Twitter que há diferenças entre assintomáticos e pré-sintomáticos — pessoas que ainda não têm sintomas, mas vão desenvolvê-los. Essas pessoas transmitem mais intensamente no início da contaminação.

Isolamento

Ainda assim, Bolsonaro passou a defender novamente o fim do isolamento social com mais vigor depois dessas informações.

— Quem sabe poderemos voltar à normalidade que tínhamos no começo deste ano — disse Bolsonaro ao abrir a reunião.

Apesar do estudo citado, a OMS não reviu a necessidade de isolamento social para frear a disseminação do vírus.

A instituição, que integra as Nações Unidas (ONU), por sua vez, esclareceu  que a “transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto”. A entidade se explicou após o pronunciamento de Kerkhove.

— Estamos absolutamente convencidos de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo, a questão é saber quanto. Não é fácil parar esse vírus. Estou absolutamente convencido que as pessoas assintomáticas transmitem o vírus, razão pela qual a disseminação do vírus é muito rápida — disse o diretor de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Michael Ryan.

Kerkhove, no entanto, citava países com grande capacidade de testagem e rastreio, que não é o caso do Brasil. Em alguns casos, sublinhou van Kerkhove, quando uma segunda análise dos supostos casos assintomáticas é feita, descobre-se que os pacientes tiveram, na realidade, sintomas leves da covid-19.

Imprecisa

Para Bolsonaro, contudo, foi o suficiente para embasar seu discurso de que é preciso abandonar as medidas de segurança, como o ‘lockdown’, por exemplo.

— A OMS também disse que a transmissão de pessoas assintomáticas é praticamente zero. Muitas lições serão tomadas. Isso pode sinalizar a uma abertura mais rápida e do comércio e a extinção de medidas mais rígidas autorizadas pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e por prefeitos e governos estaduais. O governo federal não participou disso. Vai ter muita discussão — acrescentou.

A OMS, porém, não revisou a necessidade de isolamento social para frear a disseminação do vírus. Segundo van Kerkhove, as ações dos governos devem se concentrar na detecção e isolamento de pessoas infectadas com sintomas e no rastreamento de qualquer pessoa que possa ter entrado em contato com elas. Ainda assim, a declaração da chefe do programa de emergências recebeu críticas inflamadas de pesquisadores, ao redor do mundo, por soar ambígua e imprecisa.