ONU alerta funcionários para ataques em Bagcoc

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Publicado quarta-feira, 3 de novembro de 2004 as 10:31, por: CdB

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou seus funcionários na Tailândia para que tomem cuidado após as ameaças de um grupo separatista de realizar ataques em Bangcoc para vingar a morte de 85 manifestantes muçulmanos no sul do país, na semana passada.

A ONU disse em um e-mail a seus mais de mil funcionários na Tailândia — ao qual a Reuters teve acesso nesta quarta-feira – que a ameaça “não pode ser descartada ou tomada de maneira leviana.”

– É perfeitamente possível que um ataque esteja sendo planejado contra um alvo em Bangcoc – disse o comunicado de duas páginas enviado por Russel Radfor, chefe de segurança.

– É importante que os funcionários sejam cautelosos ao se movimentar pela cidade e estejam atentos ao que está acontecendo ao seu redor – ressaltou.

A segurança em centros comerciais e no transporte público de Bangcoc está centrada em “combater pequenos crimes e não seria tão eficaz em prevenir os ataques”, disse ele.

Sete manifestantes foram mortos durante enfrentamentos com as forças de segurança em uma delegacia de polícia na província de Narathiwat, no sul do país, na semana passada, e 78 morreram foram sufocados ou esmagados em caminhões do Exército depois de terem sido presos.

Após o incidente, a Organização Unida para a Libertação Pattani (PULO), grupo separatista inativo desde os anos 1980, disse em sua página de Internet que os insurgentes levariam sua luta agora para Bangcoc.

As mortes despertaram a indignação dos muçulmanos e provocaram terríveis represálias na semana passada, incluindo a decapitação do líder de um vilarejo budista situado na região de maioria muçulmana do país, onde mais de 450 pessoas foram mortas desde que a violência explodiu em janeiro. A violência continuou nesta quarta-feira quando os militantes dispararam e feriram um lixeiro budista. Dois de seus colegas escaparam ilesos, segundo a polícia.

Em uma tentativa de diminuir a fúria dos muçulmanos e as represálias, uma comissão do governo para investigar as mortes durante a manifestação prometeu que o inquérito será livre e aberto.
Na quarta-feira, o primeiro-ministro tailandês, Thaksin Shinawatra, disse a jornalistas que o governo estava tentando restaurar a paz e acabar com os ataques a civis na região, mas que precisava do apoio de todos, inclusive dos clérigos muçulmanos.

– Temos de fazer o melhor que podemos para acabar com a crueldade contra pessoas inocentes. Por isso, quero pedir que a imprensa não ataque as autoridades por seus erros anteriores. Sejam simpáticos, eles são seres humanos que cometeram erros -disse ele.

Thaksin também pediu aos líderes islâmicos ajuda para refazer os laços entre as autoridades e as comunidades muçulmanas da região.