ONU: especialistas pedem investigação sobre rompimento de barragem da Vale

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Publicado quarta-feira, 30 de janeiro de 2019 as 10:58, por: CdB

Em comunicado, o especialista da ONU em descarte de substâncias perigosas Baskut Tuncat, pediu ao governo brasileiro que priorize as avaliações de segurança das barragens e não autorize novas barragens de rejeitos até que a segurança seja garantida.

Por Redação, com Reuters – de Genebra

Especialistas em direitos humanos da ONU pediram nesta quarta-feira uma investigação imparcial sobre o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) e sobre a toxicidade dos rejeitos da mina de minério de ferro envolvida na tragédia que deixou dezenas de mortos e quase 300 desaparecidos.

Especialistas em direitos humanos da ONU pediram nesta quarta-feira uma investigação imparcial sobre o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho

Em comunicado, o especialista da ONU em descarte de substâncias perigosas Baskut Tuncat, pediu ao governo brasileiro que priorize as avaliações de segurança das barragens e não autorize novas barragens de rejeitos até que a segurança seja garantida.

– Incitamos o governo a agir decisivamente em seu compromisso de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para evitar mais tragédias desse tipo e levar à Justiça os responsáveis pelo desastre – disseram relatores especiais da ONU, segundo comunicado.

A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, prometeu reduzir a produção por segurança para evitar outro rompimento de uma barragem de rejeitos depois do colapso da estrutura Brumadinho ocorrido na sexta-feira. A mineradora aprovou, ainda, investimentos de R$ 5 bilhões para acabar com as barragens a montante, o mesmo sistema utilizado na estrutura que se rompeu em Brumadinho.

Recursos

O governo federal liberou na terça-feira R$ 801,9 milhões previstos no orçamento para ações emergenciais de apoio a desastres, para serem usados em Brumadinho, onde uma barragem rompeu na semana passada.

– Já tem recurso que estava previsto, 800 e poucos milhões. Paulo Guedes já liberou isso. O ministro já tinha liberado, agora não se sabe o quanto vai ser usado disso aí – disse o presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, ao ser indagado se os recursos seriam verbas novas para Brumadinho.

O governo listou ações emergenciais para lidar com o caso, incluindo a antecipação do pagamento do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada e a liberação do FGTS de atingidos pelo desastre, até um limite de R$ 6,2 mil cada.

Mourão levantou dúvidas sobre a necessidade das prisões de três funcionários da Vale e dois engenheiros da Tüv Süd, empresa alemã que fez a fiscalização da barragem em 2018.

Ele disse ser preciso ter cautela na apuração de responsabilidades e, questionou a decisão do Ministério Público de Minas Gerais de pedir as prisões.

– Não é que não concorde. Não tenho elementos para dizer que elas (as prisões) estão corretas ou não. Agora, você prender preventivamente dois engenheiros por 30 dias, tem que ter prova para isso aí, ou ter indícios muito fortes de que eles iriam apagar provas – questionou.

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