Operação de separação das siamesas iranianas tem 50% de chance de sucesso

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Publicado segunda-feira, 7 de julho de 2003 as 20:50, por: CdB

O neurocirurgião Fernando Gómez Serra, do hospital La Paz de Madri, disse, nesta segunda-feira, que a operação para separar as irmãs iranianas unidas pela cabeça, que está sendo realizada em Cingapura, é uma cirurgia difícil, com “altas possibilidades” de complicações devido à idade adulta das duas, 29 anos.

Gómez Serra explicou que os cirurgiões da equipe médica responsável pela operação nas irmãs siamesas disseram que há 50 por cento de chance de sucesso, um dado que mostra “que é uma cirurgia difícil e que há altas possibilidades de complicações”.

– É o primeiro caso desse tipo que é realizado em adultos e envolve um risco importante, basicamente pela diferença na capacidade de tolerância cerebral a esse tipo de intervenção, que é maior em uma criança – explica Gómez Serra.

Um adulto não tolera bem um longo período sem irrigação do cérebro, o que pode ocorrer durante a operação, explicou Gómez Serra, ao acrescentar que além disso “há regiões do cérebro de uma criança que não estão totalmente formadas, e que no adulto estão mais definidas”.

O especialista disse que, segundo as informações divulgadas pela imprensa, as siamesas iranianas dividem uma das principais veias de saída do sangue do cérebro.

É por essa veia que os médicos tentarão separá-las, mas terão que reconstruir uma para a irmã que ficará sem a irrigação. Para isso usarão uma veia da perna.

– Trata-se de separar quais veias e quais artérias correspondem a cada uma das irmãs e a partir daí tentar reconstruir a drenagem de uma das duas, a fase mais complicada do processo cirúrgico – acrescentou.

Os cirurgiões também deverão comprovar se as irmãs compartilham hemisférios cerebrais, e em caso positivo, separá-los.

Gómez Serra acrescentou que a equipe médica realizará parte da cirurgia estética de reconstrução do osso e da pele usando um enxerto da própria pele das pacientes, “provavelmente do abdômen”, para poder fechar a parte que é comum às duas irmãs.