Operação mira 35 suspeitos de integrar milícia no Rio

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Publicado quinta-feira, 28 de novembro de 2019 as 11:56, por: CdB

Policiais civis cumpriram nesta quinta-feira 35 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrar milícia que atua na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

Policiais civis cumpriram nesta quinta-feira 35 mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrar milícia que atua na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. A operação coordenada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense ainda inclui 93 mandados de busca e apreensão.

Grupo é acusado por homicídios e ocultação de cadáveres
Grupo é acusado por homicídios e ocultação de cadáveres

O grupo é suspeito da prática de dezenas de homicídios nos últimos anos, além da ocultação de cadáveres em cemitérios clandestinos.

A milícia também é conhecida por explorar serviços como TV a cabo clandestina, venda de cigarros e exploração de transporte alternativo, como o serviço de mototáxi.

Cerca de 300 policiais cumprem mandados em Belford Roxo, Nova Iguaçu e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, além das cidades de São Pedro da Aldeia (Região dos Lagos) e do Rio de Janeiro.

Tráfico e milícia

Traficantes e milicianos são igualmente criminosos, sem distinção, atuando ambos no tráfico de drogas, no roubo de cargas e no roubo de carros. A afirmação foi feita na terça-feira pelo secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Marcus Vinícius Braga, em entrevista coletiva sobre a morte de um criminoso procurado  e os últimos índices de criminalidade divulgados no estado.

– Tráfico e milícia hoje são exatamente a mesma coisa. São criminosos perversos que dominam a sociedade local, independente de a sociedade querer ou não. A gente trata milícia exatamente como trata o tráfico. São criminosos. É mentira que miliciano não trafica drogas, é mentira que não rouba carga, que não rouba carros. Faz tudo o que o traficante faz – disse Braga.

Segundo o secretário, o combate às milícias é mais complexo do que a repressão ao tráfico de drogas, porque não é tão aparente e requer mais investigação. Isso demandou, de acordo com o delegado, uma curva de aprendizagem das polícias, para permitir lutar contra as milícias.

– A Polícia Militar e a Polícia Civil começaram a entender o trabalho de milícia. Não é fácil. A gente não sabia, no começo, como seria o nosso trabalho. O traficante, você vê ele ali com a droga, o miliciano requer investigação. Muito difícil dar um flagrante em crime de miliciano, a não ser no porte de arma – ressaltou Marcus Vinícius.

Durante a coletiva, que abordou a morte do traficante Thomas Jhayson Vieira Gome, o 3N, e mais cinco pessoas que estavam com ele em um sítio, no início da manhã, o delegado falou também sobre os índices de criminalidade no estado, divulgados na segunda-feira, que apontam uma diminuição importante nos homicídios dolosos, assim como o constante aumento do número de pessoas mortas em operações policiais.

– Não tem como diminuir 884 mortes e falar que reduzimos por esse ou por aquele motivo. Uma série de fatores que as polícias estaduais estão desenvolvendo e trabalhos em conjunto geram essa diminuição. O homicídio doloso é a nossa principal meta – disse o secretário. Ele destacou que a redução de outros grupos de crimes contribuiu para a diminuição dos casos de homicídio, como o menor número de roubos de veículos, que registrou 33.652 casos, de janeiro a outubro deste ano, 10.559 a menos do que no ano anterior.

Mortes em confrontos

Sobre o aumento dos casos de morte em confrontos, o secretário enfatizou que é resultado da reação dos criminosos à polícia: “A morte por intervenção policial nada mais é do que, na hora da operação, o sujeito reagiu. Ponto”.

O porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Flies, que também participou da entrevista coletiva, atribuiu o alto índice de mortes de criminosos ao comportamento destes, muitos dos quais, jovens e fortemente armados. “É bom frisar que as nossas operações são programadas com dados de inteligência e visam preservar vidas. No entanto, marginais insanos, portando armas de guerra, não se rendem. Eles buscam o enfrentamento, ousam atacar o Estado e a sociedade”, afirmou Flies.

Foram 1.546 casos de mortos em confronto com a polícia, de janeiro a outubro de 2019, contra 1.310 no mesmo período do ano passado, um aumento de 236 pessoas mortas.

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