Operador do PSDB, Paulo Preto ainda exerce influência em governo tucano

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Publicado sexta-feira, 15 de junho de 2018 as 20:27, por: CdB

Três testemunhas de acusação falaram no processo em que Paulo Preto e mais quatro pessoas respondem pelos crimes de peculato e formação de quadrilha.

 

Por Redação – de São Paulo

A Procuradoria Geral da República, com representantes na força-tarefa da Operação Lava Jato, em São Paulo, que investigam desvios de dinheiro público de obras viárias, disseram a jornalistas, nesta sexta-feira, que o ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ainda exerce influência sobre a empresa estadual.

Paulo Preto, mais uma vez, foi solto por ordem de Gilmar Mendes
Paulo Preto, mais uma vez, foi solto por ordem de Gilmar Mendes

— Isso ele próprio fez questão de dizer na primeira audiência de custódia. Que tinha contato com a Dersa até hoje e que ele recebeu, de secretárias lá de dentro da Dersa, a documentação relativa ao processo. Ele próprio fez questão de demonstrar que exerce influência e um domínio sobre todos os fatos — afirmou a procuradora Anamara Osório Silva, integrante da força-tarefa, conforme divulgou o Ministério Público Federal (MPF).

Denúncias

Encerrada no início da noite passada, uma audiência judicial foi realizada para tomar o depoimento de três testemunhas de acusação no processo em que Paulo Preto e mais quatro pessoas respondem pelos crimes de peculato e formação de quadrilha. De acordo com informações do MPF, os depoimentos confirmaram os fatos da denúncia.

Paulo Preto é acusado pelo Ministério Público de ter desviado cerca de R$ 7,7 milhões em recursos e imóveis que eram destinados ao reassentamento de pessoas desalojadas para obras viárias em São Paulo. Entre as obras investigadas e apontadas na denúncia estão a construção do trecho sul do Rodoanel, o prolongamento da avenida Jacu Pêssego e a nova Marginal Tietê.

Segundo a denúncia, o dinheiro foi desviado em proveito próprio e de terceiros e ocorreu entre os anos de 2009 e 2011. O esquema, de acordo com o MPF, era comandado por Paulo Preto e começou a ser investigado primeiramente pelo Ministério Público estadual, mas como envolvia verbas federais, a investigação foi encaminhada ao Ministério Público Federal.

Depoimentos

De acordo com a força-tarefa, o relacionamento do acusado com a Dersa foi um dos motivos para o segundo pedido de prisão, determinado pela Justiça Federal em São Paulo. O ex-diretor já foi preso duas vezes, no entanto, foi liberado após habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes.

— Eles tinham ordem da Justiça para retirar as pessoas (de áreas vizinhas a canteiros de obras do Rodoanel). Eles não só retiraram as pessoas, como pagaram e pagaram um valor muito maior que o que já tinha sido pago para outros invasores. Foram pagos até R$ 10 mil em dinheiro — acrescentou a procuradora da República Ana Cristina Bandeira Lins. Ela também integra a força-tarefa.

De acordo com o MPF, os depoimento confirmaram que as indenizações foram pagas em dinheiro, o que dificulta a fiscalização pelo poder público.

Ilícito

A procuradora regional da República Janice Ascari, também membro da força-tarefa, disse que uma testemunha da empresa Diagonal, contratada pelo consórcio do Rodoanel para tratar do pagamento de indenizações a pessoas removidas pelas obras, alertou superiores sobre as irregularidades e foi repreendida.

— Ela recebeu ordem para realizar os pagamentos. Ordens diretas de Paulo Vieira de Souza para a empresa — disse Ascari.

A defesa de Paulo Vieira de Souza tem declarado que a denúncia do Ministério Público é contrária à conclusão da auditoria e investigações internas da Dersa que inocentaram o ex-diretor de qualquer ato ilícito ou favorecimento a quem quer que seja.

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