Os desenvolvimentistas do PT com Delfim Neto

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Publicado sábado, 28 de abril de 2018 as 15:00, por: CdB

Enquanto as bases petistas se satisfazem com a versão oficial do partido para a crise, repetindo chavões, rezando o missal e fazendo romarias, a cúpula se reúne, mesmo com um verdadeiro golpista de 64, o Delfim Neto. Nosso colaborador Moysés Pinto Neto, conta o que se discute.  Assinale-se que existe atualmente um deserto de informações e análises corretas, pois os chamados intelectuais – e isso poucos falam ou sabem, foram igualmente mensalados com seus blogs financiados e não são mais fiáveis. (Nota do Editor, o título é nosso)

Por Moysés Pinto Neto, de Porto Alegre:

O desenvolvimentismo de Dilma em nova versão

Rolou, neste dias, uma reunião em que participaram Ciro, Bresser, Delfim e Haddad. Nada muito surpreendente, exceto para aqueles que estavam exilados no Alasca nos últimos 15 anos. Delfim esteve sempre bem próximo de Lula, Ciro chegou a ser ministro e Bresser se tornou, recentemente, uma referência econômica para os militantes. Todos são desenvolvimentistas.

Atravessando a dicotomia direita/esquerda, consideram que o mais importante é um determinado modelo macroeconômico voltado para a industrialização e crescimento nacional. Não é nada incomum, tanto entre atores de alto quilate (como Lula e Dilma), quanto nas universidades, ouvir-se elogios à política de Geisel quase como se tivessem sido os “anos dourados” brasileiros.

Há outra esquerda que não suporta essas relações e hoje aposta em uma saída mais radical, partindo para o embate da luta de classes como uma saída alternativa, embora ainda não esteja muito claro qual é a plataforma econômica que vai adotar. Essa esquerda paga um custo eleitoral pela decisão de não se misturar ao patrimonialismo e aguarda até que sua base social seja forte ao ponto de levar em frente esse enfrentamento.

Nada contra. Particularmente, acho que fazer política é sujar as mãos, mas respeito quem tem uma posição mais afirmativa de princípios e hostil a alianças com o poder.

O que não dá pra aguentar são aqueles que só veem sujeira nos erros e nas alianças DOS OUTROS. Não dá pra aguentar quem acha que o outro tem marca indelével quando comete erros políticos e faz alianças erradas, mas simplesmente absolve todos do seu lado — como se, de antemão, tudo já estivesse absolvido por um Bem Maior.

Das duas uma: ou você compra a ideia de que política é negociação e portanto se trata de analisar, sempre, projetos impuros, comparando-os nos seus defeitos e virtudes; ou compra a ideia de que é preciso formar, de baixo pra cima, uma nova maioria capaz de enfrentar as forças políticas poderosas e não negociar. Não dá pra atacar os impuros como se fossem puros e atacar os puros como se fossem ingênuos.

A dança das cadeiras tem seus limites. (Publicado originalmente no Facebook pelo autor)

Moysés Pinto Neto, doutor em Filosofia pela Universidade Católica do Rio Grande do Sul, professor na Faculdade de Direito da Universidade Luterana do Brasil, Porto Alegre.

Direto da Redação é um fórum de debates, editado pelo jornalista Rui Martins.

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