Países do BRICS evidenciam isolamento do Brasil na diplomacia mundial

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Publicado sexta-feira, 26 de julho de 2019 as 16:53, por: CdB

Araújo utilizou sua fala para criticar novamente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e defendeu uma interferência externa no país em apoio a Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino no dia 23 de janeiro. Ato seguinte, o chanceler brasileiro foi contestado no discurso do representante russo, Serguei Lavrov.

 

Por Redação – do Rio de Janeiro

 

No encontro de chanceleres do grupo de países que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (BRICS, na sigla em inglês), nesta sexta-feira, ficou ainda mais evidente o isolamento da diplomacia brasileira, diante dos demais parceiros. O encontro ocorreu no Palácio do Itamaraty, Centro da Cidade.

Os representantes do BRICS reúnem-se no Palácio do Itamaraty, Centro do Rio de Janeiro
Os representantes do BRICS reúnem-se no Palácio do Itamaraty, Centro do Rio de Janeiro

Com a presença do anfitrião, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo; reuniram-se os demais chanceleres da Rússia, Sergei Lavrov; da Índia, Subrahmanyam Jaishankar; da China, Wang Yi, e da África do Sul, a ministra Naledi Pandor. Durante a solenidade de abertura, Araújo destacou as prioridades do Brasil ao assumir a presidência de turno. Segundo o ministro, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro disse que o foco deve se basear em três aspectos.

— A primeira é buscar uma presidência focada em resultados. O presidente Jair Bolsonaro disse que iriamos presidir os BRICS com foco na ciência e tecnologia, economia digital e combate aos crimes internacionais — afirmou o chanceler.

Venezuela

Araújo utilizou sua fala para criticar novamente o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e defendeu uma interferência externa no país em apoio a Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino no dia 23 de janeiro.

— Esse grito de liberdade vem da Venezuela. O Brasil tem escutado esse grito. De um lado da Venezuela temos um governo constitucionalmente estabelecido. E do outro um governo que causa o sofrimento do seu povo. Toda comunidade internacional precisa ouvir esse grito e agir — disse o chanceler brasileiro.

Durante seu discurso, Lavrov, também falou sobre a Venezuela, mas no oposto de Araújo. O diplomata russo se posicionou contrário a uma intervenção estrangeira no país e definiu sua posição, que recebe o apoio inconteste da China e da África do Sul, com a isenção da Índia, o que deixa o Brasil isolado no apoio a Washington.

— Nós precisamos utilizar a lei internacional como base para chegar em uma solução através deles mesmos, sem interferência externas. Nós acreditamos que esse tipo de reunião é um passo para chegarmos nesse processo — disse o russo.

Golfo

Outro ponto enfatizado por Lavrov é a recente tensão no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) apreendeu uma embarcação de bandeira britânica no estreito de Ormuz, alegando que ela violou a lei marítima. O incidente ocorreu após a captura pela Grã-Bretanha de um petroleiro iraniano na costa de Gibraltar há algumas semanas.

Segundo Lavrov, a situação política na região pode levar a um confronto militar.

— A situação do Golfo Pérsico chegou a um limite que pode levar a um confronto militar e nós não queremos que isso aconteça — alertou o ministro russo.

Terrorismo

Durante o discurso de todos os cinco ministros, o tema do combate ao terrorismo foi destacado. O BRICS possui um grupo de trabalho que visa o combate deste tipo de atividade e o ministro Subrahmanyam Jaishankar, da Índia, diz que combater grupos radicais deve ser uma das prioridades do bloco.

— Todos os nossos países têm sido vítimas de terrorismos e precisamos nos apoiar para acabar com esses grupos e seus apoiadores. O BRICS tem que lutar para acabar com o financiamento das redes terroristas em todos os nossos territórios — disse Jaishankar.

O ministro de Relações Exteriores da China, Wang Yi, também utilizou seu espaço de fala para pedir a cooperação dos países do bloco no combate às organizações terroristas.

— Os países BRICS sempre tiveram cooperação em cibersegurança e contraterrorismo. Precisamos basear as nossas negociações internacionais em medidas claras contra o terrorismo — afirmou Wang Yi.

Cúpula

Desde 2006, os chanceleres do BRICS reúnem-se anualmente à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas para discutir os principais temas da agenda global. Em 2008, a Rússia sediou um encontro avulso (“stand alone”) de chanceleres do BRICS.

A prática, adicional à reunião à margem da Assembleia Geral da ONU, foi retomada em 2017 pela presidência chinesa do agrupamento e repetida em 2018, em Pretória, e neste ano o Brasil seguiu a prática e sediou o terceiro encontro avulso dos chanceleres do bloco.

O principal encontro da presidência de turno será a 11ª Cúpula do BRICS, que acontecerá em Brasília entre os dias 13 e 14 de novembro deste ano. Todos os líderes confirmaram participação na reunião.