Palocci diz que queda dos juros é um objetivo factível

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Publicado sexta-feira, 4 de julho de 2003 as 18:25, por: CdB

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse nesta sexta-feira que a recente redução da inflação possibilita uma política de queda dos juros no país e destacou a importância do governo atuar na área social para atingir estabilidade econômica.

– A redução dos juros a médio e longo prazo é um objetivo factível de ser realizado a partir desse momento – disse ele, que participou de evento na Bolsa de Valores de São Paulo.

O ministro evitou, porém, comentar sobre a conduta do Comitê de Política Monetária (Copom), que se reúne novamente nos dias 22 e 23 deste mês.

Na última reunião, o Copom cortou o juro básico do país pela primeira vez em 11 meses, em 0,5 ponto percentual, e colocou a Selic em 26 por cento ao ano.

A crença do mercado de que esse tenha sido apenas o primeiro de uma série de reduções parte dos índices de preços, que chegaram a registrar deflação.

– Iniciamos o ano com uma inflação explosiva e terminamos o semestre com inflação negativa. Isso é muito positivo para o Brasil pois permite que possamos trabalhar com taxas de juros melhores, com crédito e com crescimento, dessa vez, sustentável – disse Palocci.

O ministro defendeu também o investimento social como ferramenta para retomar o crescimento.

– Um dos maiores efeitos da crise que tivemos no ano passado não foi o inflacionário, que está sendo debelado nesse momento, foi o efeito sobre a renda das pessoas. Não há estabilidade econômica sem estabilidade social – afirmou Palocci.

Ele negou que haja um esforço do governo para conter a queda do dólar e disse que o câmbio encontrará seu próprio patamar.

– O câmbio é flutuante, ele vai encontrando seu ponto de equilíbrio e é assim que deve ser – disse.

O ministro participou na Bovespa do lançamento de um fundo de investimento em Direitos Creditórios, um projeto da Caixa Econômica Federal que integra governo e investidores privados.

As cotas do fundo serão vendidas a investidores individuais e institucionais e usadas para financiar projetos imobiliários.

O ministro também descartou uma mudança nas diretrizes do pacote de microcrédito, anunciado na semana passada, relacionadas à taxa sugerida para empréstimos a titulares de contas simplificadas ou de baixa renda.

– Vamos analisar, mas a princípio não – disse ele.

Apesar disso, Palocci contou que o governo discutirá o assunto nas próximas semanas junto ao Conselho Monetário Nacional, de modo a chegar a uma decisão que pareça “possível de ser executada pelos bancos”.

– Nós compreendemos que a taxa de 2 por cento é bastante apertada, exige que os bancos trabalhem na margem, da margem, da margem. Mas é preciso ter iniciativa nesse sentido, nesse momento de retomada de acesso ao crédito, de retomada do crescimento – reconheceu.

– Alguns bancos privados chegaram a avaliar que a taxa seria muito apertada.