Palocci mente sobre Lula, mas PF ainda investiga outros pontos da delação premiada

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Publicado terça-feira, 18 de agosto de 2020 as 15:35, por: CdB

No documento encaminhado ao MPF, o delegado da PF Marcelo Feres Daher diz que as afirmações feitas pelo delator “foram desmentidas por todas testemunhas, declarantes e por outros colaboradores da Justiça”.

Por Redação – de São Paulo

Embora o ex-ministro Antonio Palocci tenha sido flagrado na mentira que contou à Polícia Federal (PF) sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na delação premiada que salvou parte da fortuna e o manteve em prisão domiciliar, até agora, o seu arsenal está longe de se esgotar, segundo apurou a reportagem do Correio do Brasil. Palocci foi desmentido quanto às afirmações contra Lula, mas a PF ainda apura o que relatou sobre os grandes grupos de mídia e instituições bancárias de peso.

Palocci, em seu depoimento ao juiz Moro, ofereceu-se à delação premiada
Palocci, em seu depoimento ao juiz Moro, ofereceu-se à delação premiada

O relatório da PF, no entanto, justificará o arquivamento da investigação contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas a situação do delator “ainda é bem confortável”, disse fonte ligada ao processo, em condição de anonimato, ao CdB. Parlamentares petistas, no entanto, já ingressaram com petições, na Justiça, para que Palocci volte à prisão, por mentir perante os magistrados.

No documento encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), o delegado da PF Marcelo Feres Daher diz que as afirmações feitas pelo delator “foram desmentidas por todas testemunhas, declarantes e por outros colaboradores da Justiça” e “parecem todas terem sido encontradas em pesquisas na internet”.

— O delegado, no entanto, não cita as afirmativas do ex-ministro quanto ao repasse de recursos à (Rede) Globo ou cita o que Palocci relatou sobre as negociações entre o governo federal, à época, com o banco Bradesco — acrescentou a fonte.

Anexos

Em nota distribuída à imprensa, nesta terça-feira, a defesa do ex-ministro afirma que, na investigação, existem provas periciais que comprovam a veracidade de sua colaboração sobre pontos específicos do depoimento. Os advogados de Palocci também disseram que existem outros fundos indicados por ele que confirmam sua versão e que ainda não foram investigados pela PF.

Segundo o delegado Daher, os colaboradores que desmentiram o ex-ministro “aparentemente não teriam prejuízo algum em confirmar a narrativa de Palocci, caso entendessem ser verdadeira”.

“Ademais, observa-se que as afirmações feitas por Palocci parecem todas terem sido encontradas em pesquisas na internet, porquanto baseadas em dados públicos, sem acréscimo de elementos de corroboração, a não ser notícias de jornais”, diz o delegado, no relatório.

Inquérito

A delação de Palocci, acordada em 2018, tem 34 anexos, todos velados por segredo de Justiça. Na Operação Lava-Jato, o ex-ministro foi condenado a 18 anos de prisão, embora a pena tenha sido reduzida para nove anos, em regime fechado. Palocci ficou preso por mais de dois anos, em Curitiba. Desde novembro de 2018, está em prisão domiciliar.

Na parte desmentida da delação, Palocci relata que o banqueiro André Esteves movimentou, no Banco BTG, em nome de terceiros, valores supostamente recebidos por Lula em crimes de corrupção e caixa 2. Em troca, teria recebido informações privilegiadas do governo sobre a mudança da taxa Selic, o que teria lhe permitido embolsar lucros consistentes, a ponto de usar parte dos ganhos para manter o esquema de pé, com doações para a campanha do PT em 2014.

O delegado explicou, ainda, que notícias jornalísticas foram suficientes para encorpar o inquérito policial, mas “parece que não foram corroboradas pelas provas produzidas”. Portanto, não será dada continuidade ao procedimento penal, conforme concluiu o delegado da PF.

Sem comentários

O MPF passou a analisar, nas últimas horas, o relatório final da PF e dispõe de três caminhos: o arquivamento; novas diligências ou o oferecimento de denúncia à Justiça.

Segundo a defesa de Lula, a conclusão da PF de que Palocci mentiu na delação para tentar incriminá-lo é mais uma prova de que a Lava Jato atuou com “clara motivação política e usou versões mentirosas de delatores para essa finalidade”. O BGT Pactual e o banqueiro André Esteves preferem não comentar o assunto.