Pandemia: como previsto o ‘culpado’ é o mordomo

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Publicado quarta-feira, 17 de março de 2021 as 09:54, por: CdB

 

Após o Brasil se aproximar dos 12 milhões de infectados e de 300 mil mortos, o governo Bolsonaro troca pela quarta vez o ministro da saúde, numa clara manobra diversionista para não admitir que o fracasso no enfrentamento dessa tragédia é de sua inteira responsabilidade, tanto pelas orientações erráticas, anticientíficas e criminosas.

Por Eron Bezerra – de Brasília

Após o Brasil se aproximar dos 12 milhões de infectados e de 300 mil mortos, o governo Bolsonaro troca pela quarta vez o ministro da saúde, numa clara manobra diversionista para não admitir que o fracasso no enfrentamento dessa tragédia é de sua inteira responsabilidade, tanto pelas orientações erráticas, anticientíficas e criminosas que ele impõe ao ministério, quanto pelo desprezo que tem demonstrado com a vida dos brasileiros e brasileiras.

Trocou o ministro da Saúde, mas a (des)orientação continua

A eventual incompetência do ministro Eduardo Pazuello até pode agravar a situação, mas não é a causa central dessa tragédia, cujo desdobramento ainda é incerto e tende a se agravar se a orientação geral imposta pela presidente Bolsonaro não for abandonada.

Sua (des) orientação caminha no sentido oposto ao da ciência e do bom senso. Incentiva aglomerações, debocha do uso de máscaras, gasta dinheiro público com remédios ineficazes e sabota abertamente a política de vacinação. Aceitar isso passivamente foi, sem dúvidas, o maior dos erros do ex-ministro Pazuello, talvez porque desconhecia que Bolsonaro não é solidário com ninguém, a exceção, naturalmente, de seus filhos.

Forma simplificada

Os humanos, de forma simplificada, se dividem entre os que tem caráter ou são amorais. No primeiro grupo estão aqueles que reconhecem seus erros, assumem a responsabilidade pelos erros cometidos pelos assessores, especialmente quando esses erros decorrem de orientações cumpridas à risca, e fazem autocritica. Os amorais, como regra, além de nunca reconhecerem seus erros e limitações, ainda são suficientemente covardes para atribuir aos assessores todos os fracassos de suas gestões, mesmo que estes nada mais tenham feito do que cumprir as ordens por eles emanadas.

Parece que você conhece esse cenário. E é exatamente o que acaba de acontecer no ministério da saúde com a exoneração de Eduardo Pazuello, famoso por ter dito que “é simples assim: um manda e o outro obedece”, ao explicar porque tinha sido desautorizado por Bolsonaro quando tentou comprar vacinas coronavac do instituto Butantã. Ou, ainda, quando veio a Manaus dizer que as vacinas chegariam no dia D e na hora H, bem como que a partir do dia 22 de março começaria a vacinação para toda a população acima de 50 anos. São presepadas para todos os gostos.

Até hoje o enunciado não passou de demagogia barata.

Mas, insisto, ele é apenas o mordomo do processo e como o chefe não tem caráter suficiente para assumir seus erros, alguém precisa ser imolado para que Bolsonaro tenha alguma sobrevida, a qual, tudo indica, a cada dia vai se tornando cada vez mais curta.

 

Eron Bezerra, é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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