Pandemia da covid-19 altera hábitos e eleva preços de produtos específicos

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Publicado quarta-feira, 4 de novembro de 2020 as 13:46, por: CdB

Um dos principais efeitos das medidas de prevenção à pandemia de covid-19, segundo estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), tem sido a alta de preços pontual sobre determinados grupos de produtos. O comportamento de compras desse período também reflete a alta do dólar.

Por Redação – de São Paulo

Um dos principais efeitos das medidas de prevenção à pandemia de covid-19, segundo estudo realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), tem sido a alta de preços pontual sobre determinados grupos de produtos. O comportamento de compras desse período também reflete a alta consistente da moeda norte-americana.

O preço dos alimentos recebeu o maior impacto, nos últimos meses, em face da pandemia
O preço dos alimentos recebeu o maior impacto, nos últimos meses, em face da pandemia

“Os dez subgrupos de produtos e serviços que registraram as maiores altas de preços nos últimos seis meses foram os mais demandados pelo consumidor. Juntos subiram em média 5,80% no varejo, resultado equivalente a quatro vezes a inflação geral do período, medida pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) do (IBGE), que foi de 1,35%”, revela a pesquisa encomendada pela Editoria de Economia do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo (OESP).

O levantamento realizado sob a coordenação do economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, cruzou informações de vendas do varejo do IBGE com as variações de preços medidas pelo IPCA-15, foi avaliar onde estão as maiores e as menores pressões inflacionárias na pandemia.

— A mudança repentina de hábito dos consumidores provocou um choque de preços relativos no IPCA-15 (a prévia da inflação oficial) — diz Bentes.

Subgrupo

Ainda segundo o coordenador, “isso significa que houve produtos que registraram aumento abrupto de demanda e as empresas não tiveram tempo para ajustar a oferta”.

— O resultado foi a alta de preços. O outro lado da moeda é que, com a mobilidade reduzida, o consumo de produtos e serviços relacionados caiu e os preços também. O recuo dos dez subgrupos com as maiores quedas foi de 3,42% — acrescentou.

O levantamento mostra, ainda, que o subgrupo que reúne TV, aparelhos de som e itens de informática foi o que teve a maior alta de preços. Entre maio e outubro, eles foram majorados em quase 18%. Bentes optou por fazer a análise a partir de maio porque logo no início da pandemia as empresas tinham estoque e o impacto da maior procura nos preços não seria tão evidente.

“O segundo subgrupo com a maior alta de preço também está relacionado com a moradia, foi de eletrodomésticos e equipamentos (8,88%), seguido por joias e bijuterias (7,2%). Móveis e eletrodomésticos foi o segmento cuja venda disparou com a pandemia e, na sequência, material de construção”, acrescenta o OESP.

Inflação

Em linha com o estudo da CNC, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo passou a subir 1,19% em outubro depois de alta de 1,12% em setembro, diante da forte pressão dos preços de alimentos, informou nesta quarta-feira a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

No mês, o maior impacto decorreu da alta de 2,51% dos custos de Alimentação, depois de alta de 2,15% em setembro. Também pesou o avanço de 2,52% nas Despesas Pessoais, em uma forte aceleração da alta de 1,66% vista no mês anterior.

Na outra ponta, Vestuário apresentou queda de 0,32% em outubro, depois de subir 0,67% em setembro. O IPC-Fipe mede as variações quadrissemanais dos preços às famílias paulistanas com renda mensal entre 1 e 10 salários mínimos.