Pandemia, mortes e corte de salários: um governo que odeia povo

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Publicado quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021 as 09:00, por: CdB

 

O governo poderia assegurar 01 ano de auxílio emergencial para 100 milhões de brasileiros (as) usando apenas 10% do que o Orçamento reserva para banqueiros e demais especuladores. Mas a sua proposta é cortar salário de servidores.

Por Eron Bezerra – de Brasília

O governo poderia assegurar 01 ano de auxílio emergencial para 100 milhões de brasileiros (as) usando apenas 10% do que o Orçamento reserva para banqueiros e demais especuladores. Mas a sua proposta é cortar salário de servidores.

O governo poderia assegurar 01 ano de auxílio emergencial para 100 milhões de brasileiros

Esse é o novo “presente” do governo Bolsonaro aos servidores públicos: a ameaça de corte de salários, sob o argumento de que precisa de recursos para o auxílio emergencial, cuja suspensão lhe rendeu mais de 20% na taxa de rejeição.

E antes que algum bolsonarista, possuído pela “síndrome de Estocolmo”, diga que não há recurso e outras hipocrisias do gênero para bancar o justo auxílio emergencial, aliás, aprovado graças a luta dos partidos de oposição, vamos aos números e fatos.

Nem vou nem argumentar que a Constituição Federal determina que “o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e empregos públicos são irredutíveis” (Art. 37, inciso XV), ressalvado os casos previstos em lei,  porque no atual governo não há qualquer respeito ao devido processo legal. Seus apoiadores, portanto, não devem se importar muito com mais essa ilegalidade. Afinal, já pararam de bater panela há bastante tempo e hoje, passivamente, assistem Bolsonaro ameaçar fechar as demais instituições, trabalhar diuturnamente para evitar que os seus sejam investigados e pregar abertamente uma ditadura militar. O escapismo de seus apoiadores é atacar os eventuais erros de outros governos. Mas até para o cinismo há limites.

Vou direto ao que interessa. Dinheiro há e bastante. Como se gasta é o que determina o caráter de classe e o compromisso social dos governos.

No Orçamento da União de 2021, em tramitação no Congresso, há uma previsão de R$ 144,3 bilhões para investimentos e o Orçamento Fiscal e da Seguridade Social está estimado em R$ 4,148 trilhões (4.147.580.314.649). Mas, pasme, está reservado para a Dívida Pública (banqueiros e demais especuladores) nada menos do que R$ 2,23 trilhões, ou seja, 54% de todo o orçamento fiscal.

A pretensão do governo é conceder mais 3 meses de auxílio emergencial a R$ 200/mês. Basta cortar 2,7% do montante reservado aos banqueiros e demais especuladores. Se quiser estender o benefício até dezembro, o que seria o correto, é possível resolver com 10% dessa montanha reservada para a especulação. E por que, então, o governo se volta contra os servidores? Talvez porque a sua histeria anticientífica tenha encontrado eco no ambiente, inclusive nas universidades e demais instituições de pesquisa, o que lhe permite se sentir à vontade para nos tripudiar.

O governo é dos banqueiros

Como o governo é dos banqueiros e demais agiotas, seus lucros bilionários continuarão intactos. E o governo se volta contra os servidores públicos, trabalhadores cuja importância a cada dia só fica mais evidente. Infelizmente, também, cada dia com menos parlamentares a se levantar em sua defesa no Congresso e demais casas legislativas.

Espero, a partir dessa demonstração inequívoca de dados, nunca mais ouvir baboseiras e vigarices como, por exemplo, de que o caos atual é por conta de estádios superfaturados e outras sandices alardeadas pelas “viúvas do Moro”. Se alguém tem fatos, e não convicções, apresente, denuncie e se puna quem cometeu ilícitos. Mas jamais usem subterfúgios para acobertar bandalheiras.

 

Eron Bezerra, é professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

As opiniões aqui expostas não representam necessariamente a opinião do Correio do Brasil

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