Pantanal registra pior ano em número de queimadas, diz INPE

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Publicado quinta-feira, 1 de outubro de 2020 as 13:35, por: CdB

O número de focos de incêndio no Pantanal em setembro deste ano chegou a 8.106, o pior já registrado desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) começou a fazer as medições em 1998.

Por Redação, com Sputnik – de Brasília

O número de focos de incêndio no Pantanal em setembro deste ano chegou a 8.106, o pior já registrado desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) começou a fazer as medições em 1998.

Pantanal registra pior ano em número de queimadas desde 1998, diz INPE
Pantanal registra pior ano em número de queimadas desde 1998, diz INPE

De acordo com os dados divulgados pelo instituto, 2020 já é o pior ano da série histórica para o bioma, com um total 18.259 focos registrados entre 1º de janeiro e 30 de setembro. Em termos de comparação, o número de focos na totalidade do ano passado foi de 10.025, enquanto o recorde anterior era de 12.536 em 2005.

Em uma audiência pública no Senado ocorrida na quarta-feira, o presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, afirmou que o atraso na resposta do governo federal para o combate ao fogo no Pantanal foi provocado pela pandemia de covid-19.

Segundo Bim, a crise sanitária levou à demora na contratação de brigadistas que combatem as queimadas, que só foi concluída no final do mês de julho, quando os focos já se alastravam pela região. Em anos anteriores, o recrutamento costumava ser concluído entre os meses de abril e junho.

– A gente teve um revés neste ano, por causa da pandemia. Isso atrasou um pouco (a contratação de brigadistas) e a gente teve algum tipo de perda em relação ao treinamento preventivo, uma prática que a gente faz todo ano – disse Bim.

Queimadas na Amazônia

O INPE também apresentou números sobre a Amazônia, que registrou um aumento de 61% nas queimadas em setembro deste ano em comparação com 2019, com 32.017 focos de calor contra 19.925.

Além disso, os dados do instituto apresentam um crescimento no total anual, com 76.030 focos de janeiro a 30 de setembro, enquanto no ano passado foram 66.749 pontos de fogo na floresta nesse mesmo período.

Segundo as informações mais recentes disponibilizadas pelo INPE, que vão até 31 de agosto, a área total de mata nativa perdida no Brasil nos biomas da Amazônia e do Pantanal chega a 53.019 km², o que equivale a quase 35 vezes o tamanho da cidade de São Paulo.

Secretário nacional de Defesa Civil

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Alexandre Alves, rechaçou na quarta-feira as acusações de inércia do Executivo federal no combate aos incêndios no Pantanal.

– Não há uma inércia, nem do Poder Público local; nós já liberamos recursos para Poconé (MT), por exemplo, logo no início, de R$ 1 milhão – disse Alves ao participar de audiência pública da comissão externa do Senado que acompanha as ações contra o alastramento do fogo.

Segundo ele, os recursos foram empregados no aluguel de aviões e helicópteros; na contratação de brigadistas; nos aluguéis de veículos e na compra de equipamentos para o Corpo de Bombeiros como mangueiras e bombas.

Alves garantiu que não haverá falta de recursos. “Quando eu digo que há recursos, que não faltarão recursos, refiro-me aos que estão relacionados à resposta ao desastre, é dentro da rubrica da ação orçamentária de Defesa Civil. Para as ações de resposta, nós temos recursos este ano – frisei este ano, porque a LOA (lei orçamentária) do ano que vem está nos deixando preocupados, nós temos recursos para a resposta”, afirmou.

Somente este ano, o fogo já consumiu 2,916 milhões de hectares do bioma, sendo 1,742 milhão de hectares na área de Mato Grosso e 1,165 milhão de hectares no Pantanal sul-mato-grossense.

Pesquisa

Para a Defesa Civil, a excepcionalidade da seca deste ano na região e a situação dos próximos cinco anos serão um desafio. Com os cortes sucessivos de recursos para os órgãos ambientais, o investimento em ciência e tecnologia que chegou a R$ 14 bilhões, em 2015, caiu para R$ 5 bilhões.

Ao ressaltar que investimentos em pesquisa são essenciais para dizer ao Poder Público o que precisa ser feito, o secretário nacional de Defesa Civil sugeriu esses R$ 5 bilhões sejam integralmente utilizados para as pesquisas relacionadas a esse tipo de ação.

– Seria, talvez, uma sugestão aí para vencermos essa redução de pesquisa e, logicamente, lutando sempre para que a pesquisa tenha todos os recursos necessários – avaliou.

Disponibilidade

O secretário de Defesa Civil afirmou ainda que o combate ao fogo vai além de recursos financeiros que, isoladamente, não resolvem o problema das queimadas. “Nós não temos helicópteros para locação disponíveis, porque, como já foi dito aqui, os helicópteros para combate ao fogo têm que ter proteção na descarga e nos seus equipamentos com relação à fuligem”, explicou.

Segundo o secretário, o problema com relação às aeronaves é a falta de disponibilidade no mercado, e não de recursos. O mesmo acontece com brigadistas: há dinheiro para contratação, mas não há pessoal treinado.

– Todos os recursos necessários para a contratação de brigadistas foram disponibilizados e, como também já foi muito bem falado aqui pelos especialistas, não é qualquer pessoa que pode ser brigadista, ela tem de ser treinada – concluiu.

Ibama

Na mesma audiência pública, o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Bim, disse que o órgão trabalha no seu limite de capacidade orçamentária e que fez o remanejamento de servidores do PrevFogo para a região do Pantanal.

– Embora eu tenha mandado brigadistas do país inteiro para o Pantanal, eu não posso tirar todos, porque eu tenho as demandas locais também, há deficiências em outros lugares do país, em outros biomas também ameaçados. A gente agradece a logística que foi dada e o suporte, porque sem esse suporte social e local, envolvendo a política local, envolvendo os prefeitos e os parlamentares locais, a gente não teria conseguido mandar tanta gente e obviamente manter esse pessoal lá também – disse.

Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente conta com 1.485 brigadistas contratados.

– A gente mandou para o Mato Grosso do Sul 46 brigadistas para dar apoio, vindos da Bahia, do Piauí e de Pernambuco, que estão no Mato Grosso do Sul, com 17 viaturas e um helicóptero. Já no Mato Grosso, a gente mandou 103 brigadistas para dar apoio. Tiramos de vários estados, desde a Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rondônia – disse.

O grupo trabalha com 25 viaturas, três helicópteros e quatro Air-Tractors, aviões que jogam água e facilitam o trabalho de combate ao fogo.

Pandemia

Ainda na avaliação de Eduardo Bim, a pandemia trouxe um revés e atrasou o treinamento preventivo feito todos os anos.

O PrevFogo é um programa que também atua de forma preventiva, fazendo um trabalho educacional, ao longo de todo o ano, com o objetivo de evitar que incêndios criminosos e acidentais ocorram.

– As mudanças climáticas, essa questão de nível pluviométrico baixo, no Pantanal, tornaram um cenário que, normalmente, não é fácil num pesadelo logístico – afirmou, acrescentando que peritos e investigadores foram enviados à região para rastrear a origem do fogo e saber o que foi criminoso e o que foi acidental.