Papa cita número de mortos pela covid-19 no Brasil: “Terrível”

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Publicado domingo, 7 de junho de 2020 as 16:37, por: CdB

O papa Francisco fazia referência aos 1.473 mortos em um período de 24 horas, na última quinta-feira, após 100 dias da confirmação do primeiro caso de coronavírus no país.

Por Redação, com agências internacionais – de Roma

Durante a celebração do Angelus neste domingo, o papa Francisco pediu para que as pessoas não diminuam as medidas de segurança sanitária para o combate do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Durante as orações, Francisco, dirigindo-se a centenas de pessoas que recebiam a bênção na praça São Pedro, lembrou que a covid-19 continua fazendo muitas vítimas, “especialmente na América Latina”.

O papa Francisco acena aos presentes na Praça de São Pedro, em Roma, em que cita o número de vítimas da covid-19, no Brasil
O papa Francisco acena aos presentes na Praça de São Pedro, em Roma, em que cita o número de vítimas da covid-19, no Brasil

— Na última sexta-feira, em um país, uma morte por minuto! Terrível! — lamentou o papa, sem citar, nominalmente, o Brasil.

O papa Francisco fazia referência aos 1.473 mortos em um período de 24 horas, na última quinta-feira, após 100 dias da confirmação do primeiro caso de coronavírus no país.

— Saúdo todos vocês, romanos e peregrinos, os fiéis que vieram sozinhos, as famílias e as comunidades religiosas. Também a vossa presença aqui é um sinal de que a fase aguda da epidemia foi superada na Itália. Mas, fiquem atentos e nunca cantem vitória antes, não cantem vitória muito cedo — disse aos presentes na Praça São Pedro.

CNBB

Desde o dia 1º de junho, o Vaticano reabriu suas portas para receber fiéis com rígidas medidas sanitárias, como a obrigatoriedade de máscaras faciais, higienização das mãos e manutenção do distanciamento social. Por isso, o Pontífice pediu o cuidado das pessoas.

“Permanece a necessidade de seguir com cuidado as normas vigentes porque são normas que nos ajudam a evitar que o vírus vá adiante. Graças a Deus, estamos saindo do centro da crise mais fortes, mas sempre seguindo as prescrições dadas pelas autoridades”, afirmou ainda o líder da Igreja Católica.

Embora não tenha sido citado no discurso do papa, o escândalo que emergiu na Igreja Católica brasileira está nas preocupações do Santo Padre. Na noite passada, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota oficial em que se manifesta sobre uma reportagem publicada no diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo de que alas conservadoras ligadas às emissoras de TVs e rádios católicas estariam oferecendo apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em troca de verbas.

Emissoras

Segundo o comunicado, “por meio de sua Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, juntamente com a SIGNIS Brasil e a Rede Católica de Rádio (RCR), associações de caráter nacional que reúnem as TVs e rádios de inspiração católica do Brasil, informam que ‘não organizaram e não tiveram qualquer envolvimento com a reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, representantes de algumas emissoras de TV de inspiração católica e alguns parlamentares’.

A nota destaca que as organizações não foram informadas sobre tal reunião e que as emissoras “intituladas ‘de inspiração católica’ possuem naturezas diferentes”.

“Algumas são geridas por associações e organizações religiosas, outra por grupo empresarial particular, enquanto outras estão juridicamente vinculadas a dioceses no Brasil. Elas seguem seus próprios estatutos e princípios editoriais. Contudo, nenhuma delas e nenhum de seus membros representa a Igreja Católica, nem fala em seu nome e nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem feito todo o esforço, para que todas as emissoras assumam claramente as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”, destaca a nota.

Evangelho

Ao fim do documento, a CNBB afirma que recebeu com “estranheza e indignação” a notícia publicada pelo jornal, de que emissoras estariam oferecendo apoio ao governo em troca de dinheiro.

“A Igreja Católica não faz barganhas. Ela estabelece relações institucionais com agentes públicos e os poderes constituídos pautada pelos valores do Evangelho e nos valores democráticos, republicanos, éticos e morais”, concluiu.