Papa Francisco alerta contra volta do totalitarismo nazi-fascista no mundo

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Publicado domingo, 23 de setembro de 2018 as 18:47, por: CdB

Em visita à Lituânia, o papa Francisco lembra vítimas do nazismo e adverte contra o revisionismo histórico. Ele clama ainda por discernimento para que políticas perigosas possam ser detectadas a tempo.

 

Por Redação, com DW – de Kaunas, Lituânia

 

O papa Francisco fez um alerta neste domingo contra o revisionismo histórico e um possível avanço de ideologias totalitárias. Em viagem à Lituânia, ele lembrou o extermínio dos judeus pelos nazistas no país báltico, advertindo contra o ressurgimento de sentimentos antissemitas.

O papa Francisco rezou uma missa a 100 mil fiéis reunidos em parque na cidade de Kaunas
O papa Francisco rezou uma missa a 100 mil fiéis reunidos em parque na cidade de Kaunas

A visita do pontífice coincide com os 75 anos da destruição do gueto de Vilnius, estabelecido pela Alemanha nazista na capital da Lituânia. Milhares de pessoas morreram de fome, doenças e maus-tratos no local ou foram deportadas dali para campos de concentração.

— Há 75 anos esta nação presenciava a destruição definitiva do gueto de Vilnius. Assim, tinha fim a aniquilação de milhares de judeus que começara dois anos antes — afirmou o papa a 100 mil fiéis reunidos para uma missa na cidade de Kaunas, a segunda maior do país.

Violência

Segundo historiadores, cerca de 195 mil pessoas – o que representa quase toda a população judia da época – morreram nas mãos dos nazistas durante a ocupação alemã na Lituânia, de 1941 a 1944. Hoje vivem cerca de 3 mil judeus no país, que conta com uma população 80% católica.

Francisco pediu então “o dom do discernimento para detectar a tempo qualquer reaparecimento dessa atitude perniciosa, qualquer sopro daquilo que pode manchar os corações de gerações que não viveram aqueles tempos e podem ser enganados por cantos de sereia”.

Após a missa, o papa alertou ainda contra aqueles que querem “submeter os mais frágeis, usar a força em qualquer de suas formas, impor um modo de pensar, uma ideologia, um discurso dominante, usar a violência ou repressão para oprimir”.

Extrema direita

— Quantas vezes aconteceu de um povo acreditar ser superior, com mais direitos adquiridos, com mais privilégios a preservar ou conquistar? — questionou.

Ele se despediu dos fiéis em Kaunas clamando por uma “atenção delicada aos excluídos e às minorias” e pedindo para que “se afaste das culturas a possibilidade de aniquilar o outro, de colocar o outro de lado, de continuar descartando quem nos incomoda e ameaça nosso conforto”.

Seu alerta vem num momento em que movimentos políticos de extrema direita, xenófobos e neofascistas ganham força em várias partes da Europa, incluindo a Alemanha, a própria Lituânia e, mais perto do papa, a Itália.

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