Para especialista, corte de juros nos EUA pode ser bom para Brasil

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Publicado quinta-feira, 19 de setembro de 2019 as 10:59, por: CdB

Especialista disse que esse cortes nas taxas de juros acontecem dentro de um processo de desaceleração econômica global, mas observou que esta desaceleração não é homogênea.

Por Redação, com Sputnik e Reuters – de Brasília

O Federal Rserve (Fed) anunciou nesta quarta-feira a diminuição da taxa de juros pela segunda vez em 2019, reduzindo a taxa básica de juros de 1,75% a 2%. Já o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil também anunciou no fim da tarde de quarta-feira reduzir a taxa básica de juros de 6% para 5,5% ao ano.

Para especialista, quando EUA cortam a sua taxa de juros, “os investidores procuram retornos mais altos de outros países, em especial dos emergentes”.

O pesquisador da área de Economia Aplicada do FGV-Ibre (Instituto Brasileiro de Economia), Marcel Balassiano, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que esse cortes nas taxas de juros acontecem dentro de um processo de desaceleração econômica global, mas observou que esta desaceleração não é homogênea.

– Mas é bom frisar que essa desaceleração da economia global não é homogênea em todos os países. Por exemplo, os EUA estão numa situação econômica melhor que da Europa. O Banco Central ao reduzir a taxa básica de juros tenta estimular mais a economia, diminuindo o custo de vida, estimulando o consumo das pessoas e dando mais dinheiro para as empresas investirem – observou.

De acordo com ele, quando EUA cortam a sua taxa de juros, “os investidores procuram retornos mais altos de outros países, em especial dos emergentes”.

– Então esse aumento da entrada de dólares no país pode fortalecer a nossa moeda local. Ou seja, isso pode vir a ser positivo para as economias emergentes, para o Brasil em especial – afirmou o pesquisador.

Marcel Balassiano destacou, no entanto, que um dos riscos para o Brasil é se for concretizada uma desaceleração econômica global.

– O Banco Central tinha dito que um dos riscos era a desaceleração do cenário externo para as economias emergentes. Ou seja, se o cenário de desaceleração global e a incerteza aumentar, isso pode prejudicar o Brasil – completou.

Em comunicado, o BC deixou de considerar o cenário externo benigno. E, ao detalhar seu balanço de riscos para a inflação, a autoridade monetária não ressaltou mais qual dos fatores tem mais peso em sua análise, após frisar em comunicações prévias que o risco ligado à frustração nas reformas era “preponderante”.

Tudo considerado, o Copom do BC indicou que um novo corte da Selic deve ser feito à frente, ao manter em sua comunicação trecho em que assinala que “a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo”.

Para o economista Thomaz Sarquis, da Eleven Financial Research, o BC mostra inclinação “muito forte” de continuar reduzindo os juros. Mas ele avaliou que a retirada da avaliação do risco ligado às reformas como preponderante pode ter sido precipitada.

– Na nossa visão, esse risco continua bastante preponderante. A gente entende que o mercado e o BC estão subestimando risco fiscal – disse.

Em nota, a economista Camila Abdelmalack, da CM Research, avaliou que o ciclo de cortes na Selic deve ser de no mínimo 150 pontos-base. Ou seja, com espaço para redução de mais 0,5 ponto Selic até o fim deste ano.

Para ela, as projeções para inflação atualizadas pelo BC corroboram essa leitura. A autoridade monetária agora vê o IPCA a 3,3% em 2019 no cenário de mercado, sobre 3,6% em sua última projeção, feita em julho. Para 2020, a estimativa recuou a 3,6%, contra 3,9% anteriormente.

Nos dois casos, as estimativas ficaram ainda mais longe da meta de inflação, que é de 4,25% este ano e 4,0% no próximo, nos dois casos com margem de 1,5 ponto para mais ou para menos.