Para ex-secretária, Blair ludibriou seus colegas sobre armas do Iraque

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Publicado domingo, 1 de junho de 2003 as 15:31, por: CdB

Um ex-membro do gabinete do primeiro-ministro Tony Blair o acusou neste domingo de ter manipulado informação de inteligência a fim de justificar a guerra no Iraque e disse que ele “ludibriou” seus colegas sobre as supostas armas de destruição em massa.

– Conclui que o primeiro-ministro decidiu ir à guerra em algum momento de agosto e ele nos ludibriou todo o tempo – disse a ex-secretária de Deenvolvimento Internacional Clare Short, em entrevista publicada neste domingo no The Sunday Telegraph.

– Ele decidiu por razões que só ele conhece ir à guerra contra o Iraque e criar uma sensação de urgência e fazer pressão. A forma como a informação de inteligência foi distorcida fez parte daquela pressão – avaliou ela, segundo o jornal.

Short renunciou no mês passado, acusando irritadamente Blair de ter quebrado sua promessa de dar às Nações Unidas um papel central na reconstrução e administração pós-guerra no Iraque. Ela denunciava antes da guerra que o premier estava tratando a crise de forma “profundamente irresponsável” e ameaçava renunciar, mas manteve-se no gabinete durante todo o conflito.

O fato de as tropas americanas e britânicas não terem ainda conseguido encontrar provas de que Saddam Hussein possuía armas proibidas está criando um sério problema político para Blair, que dizia que a ameaça apresentada pelas armas justificava a guerra.

Ele reiterou neste domingo que a busca por armas ilegais irá eventualmente provar que ele estava certo.

– Eu tenho dito ao povo para esperar pelas conclusões desse processo e ainda existem montes de lugares a serem investigados, mas ao invés de fazer um comentário apressado sobre isso, vamos acumular evidências e oferecê-las às pessoas – afirmou ele a jornalistas em Evian, França, onde participa da reunião do Grupo dos Oito.

– Eu simplesmente digo às pessoas que já assumiram uma posição, esperem – acrescentou.

O ex-secretário do Exterior Robin Cook, que renunciou ao cargo de líder da Câmara dos Comuns em protesto contra a guerra, disse à rádio BBC que parece que o governo cometeu um “erro monumental” indo à guerra.

– O governo deveria admitir que estava errado e eles precisam esclarecer isso através de uma investigação independente sobre o que os levou a cometerem o erro para que isso nunca mais aconteça, para que nunca mais enviemos tropas britânicas com base em um erro – pediu.

O atual secretário do Exterior Jack Straw, falando à tevê BBC, repetiu recentes sugestões do secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, de que Saddam Hussein pode ter destruído algumas de suas armas antes do início da guerra.

Ele acrescentou que tem confiança que serão encontradas provas sobre as armas ilegais e considerou que as críticas de Short não têm fundamento.

– A inteligência certamente não estava errada. A evidência está aí, foi publicada. Eles tinham esses sistemas de armas e os estavam desenvolvendo – garantiu Straw.

– Não tomamos a decisão militar com base em alguma contingência, como o que poderíamos encontrar posteriormente. Nós a tomamos plenamente com base na evidência declarada e revelada – afirmou.

Segundo ele, Saddam “quase certamente” destruiu alguma evidência sobre suas armas.

– Acredito, portanto, que houve um grande esforço na preparação para a ação militar para esconder um monte dessas coisas e enganar a comunidade internacional, mesmo depois do fim da ação militar – analisou.